Mais de 20 chefes de Estado e representantes governamentais africanos defenderam, no Egipto, uma maior mobilização dos recursos financeiros do próprio continente para impulsionar o crescimento económico, fortalecer o comércio regional e reduzir a dependência de financiamentos externos.
A posição foi manifestada durante a primeira edição do Fórum África de Alamein, uma cimeira empresarial de três dias realizada na cidade mediterrânica de El-Alamein, que reuniu líderes políticos, empresários, banqueiros e instituições de desenvolvimento.
Na abertura do encontro, o Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, destacou o papel fundamental do sector privado africano, responsável por mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do continente. Entretanto, alertou que as empresas africanas continuam excessivamente ligadas aos mercados externos, em detrimento das oportunidades comerciais entre países vizinhos.
Segundo o governante, cerca de 85% das transacções do sector privado africano são realizadas com empresas de fora do continente, uma realidade que, na sua perspectiva, demonstra a necessidade de reforçar as parcerias económicas intra-africanas.
Por sua vez, o presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, considerou positivo o crescimento do comércio entre países africanos, mas defendeu que os resultados ainda estão longe do potencial económico do continente.
De acordo com os dados apresentados no fórum, o comércio intra-africano atingiu 220 mil milhões de dólares em 2024, representando 14,4% do comércio total de África. O indicador registou um crescimento de 12,4%, depois de uma contracção de 5,9% no ano anterior.
Apesar da evolução, o responsável afirmou que África precisa de fazer muito mais para transformar o seu potencial económico em desenvolvimento sustentável.
O Fórum África de Alamein deverá passar a realizar-se de dois em dois anos, sob mandato da União Africana, com uma agenda centrada em sectores estratégicos como infra-estruturas, comércio, agricultura, saúde, mineração, tecnologia e energias renováveis.
A iniciativa representa também uma oportunidade para o Egipto reforçar a sua presença económica e diplomática no continente africano, num contexto de crescente influência de potências como a China e os países do Golfo.
Actualmente, os investimentos egípcios em África estão estimados em cerca de 14 mil milhões de dólares, incluindo o projecto hidroeléctrico Julius Nyerere, na Tanzânia, avaliado em três mil milhões de dólares.
Entretanto, o encontro acontece numa altura em que o Cairo procura conquistar maior apoio africano na disputa diplomática com a Etiópia em torno da Grande Barragem do Renascimento Etíope, considerada pelo Egipto uma ameaça à sua segurança hídrica e à distribuição das águas do rio Nilo.
Enquanto a Etiópia defende a barragem como um instrumento essencial para o desenvolvimento económico e energético nacional, o Egipto insiste na necessidade de um acordo juridicamente vinculativo sobre a sua operação.
Fonte: AFP – Agence France-Presse.
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