Músico e compositor falou sobre a origem do nome artístico, as suas influências, as dificuldades de um artista independente e os sonhos para a carreira, durante entrevista à Rádio Zango 8000
O músico e compositor angolano Dracma foi o convidado deste sábado do programa Espaço Entrevista, da Rádio Zango 8000, onde falou sobre a sua entrada no mercado musical, as suas influências, o processo de composição e os desafios enfrentados por artistas independentes.
Com cerca de três anos ligados à escrita e ao universo musical, Dracma apresentou na Rádio Zango 8000 a sua primeira música, intitulada “Homenagem ao Lula”, dedicada ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
A entrevista aconteceu às vésperas do primeiro turno das eleições gerais brasileiras, marcado oficialmente para 4 de outubro de 2026 pelo Tribunal Superior Eleitoral.
“Tenho ele como um pai”
Ao explicar a origem da música, Dracma afirmou que vê Lula como uma referência e disse que alguns dos discursos do político brasileiro tiveram impacto na sua forma de pensar.
Segundo o artista, a canção nasceu como uma forma de expressar essa admiração e de prestar uma homenagem ao presidente brasileiro.
Durante a conversa, Dracma também manifestou a sua expectativa em relação ao processo eleitoral brasileiro, afirmando que acreditava numa vitória de Lula. A declaração foi apresentada como uma opinião pessoal do artista.
No momento da entrevista, o cenário eleitoral ainda estava em disputa. Uma pesquisa Datafolha divulgada em 2 de outubro apontava Lula com 45% dos votos válidos no primeiro turno, contra 40% de Flávio Bolsonaro, embora a própria pesquisa registasse eleitores que ainda poderiam mudar de voto.
Da meditação ao nome Dracma
Outro momento da entrevista foi dedicado à origem do nome artístico.
Dracma explicou que encontrou o termo durante momentos de meditação e leitura das Escrituras. Segundo o músico, “dracma” está associado a uma moeda mencionada no contexto bíblico.
A escolha também teria sido uma forma de diferenciar o seu nome artístico de “Drac”, já utilizado por outro artista internacional.
Música como parte da vida
Dracma contou que a música está presente na sua vida desde a infância e que, durante vários anos, dedicou-se principalmente à escrita antes de decidir gravar e apresentar as próprias composições.
O artista afirmou que costuma escrever a partir das experiências do quotidiano e dos sentimentos que determinadas situações lhe provocam.
Além do Kuduro, Dracma revelou possuir composições em outros estilos, incluindo Zouk e Afro, e disse que mantém várias letras guardadas em cadernos, embora muitas delas também estejam memorizadas.
Influências e desejo de trabalhar com outros artistas
Entre as suas referências, Dracma destacou artistas que, segundo ele, servem de inspiração para o seu percurso.
Durante a entrevista, deixou ainda um apelo ao músico Bebo Clone, com quem gostaria de realizar uma colaboração.
O artista afirmou também que está aberto a trabalhar com outros músicos e compositores, independentemente do género musical, e manifestou interesse em escrever para outros intérpretes.
Kuduro como identidade
Questionado sobre a escolha do Kuduro, Dracma classificou o género como parte da identidade angolana e destacou a importância de figuras ligadas à história e à evolução do estilo.
Para o músico, as diferentes gerações devem reconhecer o contributo daqueles que ajudaram a construir e impulsionar o Kuduro.
“Fazer diferente para ter resultado diferente”
Sobre aquilo que pretende apresentar ao mercado, Dracma defendeu a necessidade de procurar uma identidade própria.
Segundo o compositor, a sua principal estratégia é transformar as próprias experiências em música, evitando simplesmente reproduzir aquilo que outros artistas já fazem.
O artista explicou ainda que trabalha atualmente de forma independente e que a música apresentada na Rádio Zango 8000 foi gravada com o produtor Loidef, ligado ao Rocha Pinto.
Sonho de criar uma banda
Apesar de ter iniciado o percurso com o Kuduro, Dracma revelou que os seus planos vão além do género.
O músico pretende aprender a tocar instrumentos como piano e guitarra e, futuramente, formar uma banda.
Também admitiu o desejo de criar o próprio estúdio e uma produtora, embora reconheça que esses projectos dependem de melhores condições financeiras.
Os desafios de um artista independente
Entre as principais dificuldades apontadas pelo artista estão os recursos financeiros necessários para produzir, promover e distribuir música.
Dracma revelou ainda que, até ao momento da entrevista, não tinha uma distribuidora responsável por colocar as suas músicas nas plataformas digitais.
A intenção, segundo explicou, é encontrar rapidamente uma solução para distribuir “Homenagem ao Lula” e posteriormente produzir um videoclipe.
Uma mensagem para os jovens artistas
No final da entrevista, Dracma deixou uma mensagem dirigida aos jovens que procuram espaço no mercado musical.
Para o artista, a persistência é fundamental, sobretudo diante das dificuldades e dos fracassos que podem surgir durante o percurso.
Dracma defendeu que o artista precisa movimentar-se, procurar oportunidades e continuar a trabalhar mesmo depois de enfrentar obstáculos.
A participação na Rádio Zango 8000 marcou, segundo o próprio músico, uma das primeiras oportunidades de apresentar publicamente o seu trabalho e a sua música de estreia.
A entrevista terminou com a apresentação de “Homenagem ao Lula”, música na qual Dracma combina referências sociais, religiosas e políticas para expressar a sua visão sobre liderança, pobreza, educação, trabalho e esperança.
Assista agora
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