Angola assinala, neste domingo, 2 de agosto, os 19 anos da morte de Álvaro Holden Roberto, fundador e líder histórico da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e uma das figuras mais marcantes do nacionalismo angolano. O seu percurso político e diplomático permanece ligado à luta pela independência de Angola e ao fortalecimento do movimento de libertação em África.
Holden Roberto faleceu a 2 de agosto de 2007, em Luanda, aos 84 anos, após um período de doença. Foi sepultado a 8 de agosto, em Mbanza Kongo, província do Zaire, sua terra natal, com honras de Estado, em reconhecimento pelo contributo prestado à luta de libertação nacional.
Nascido a 12 de janeiro de 1923, em São Salvador, atual Mbanza Kongo, Holden Roberto cresceu numa família profundamente ligada à Igreja Baptista e aos valores da justiça, da dignidade humana e da resistência ao colonialismo. Conforme relata a obra Holden Roberto: O Pai do Nacionalismo, era neto de Miguel Nekaka, líder religioso, mestre pedreiro e tradutor da Bíblia para kikongo, reconhecido pela defesa dos direitos da população africana durante o período colonial.
A publicação descreve Miguel Nekaka como uma personalidade respeitada no antigo Reino do Kongo, que denunciou os abusos do regime colonial, combateu o trabalho forçado e procurou defender a dignidade do povo africano. A sua influência teve um papel determinante na formação moral e política de Holden Roberto, despertando nele, desde cedo, um profundo sentimento patriótico.
Durante a juventude, Holden Roberto viveu no então Congo Belga, onde prosseguiu os estudos em escolas missionárias baptistas. Segundo o livro, participou em atividades religiosas, culturais e desportivas, experiências que contribuíram para o desenvolvimento da sua consciência política e para o contacto com diferentes correntes nacionalistas africanas.
A obra refere ainda que Holden Roberto manteve contacto com importantes figuras da história africana, entre elas Patrice Lumumba, líder da independência do Congo, e Simão Gonçalves Toco, fundador da Igreja Tocoísta. Esses encontros reforçaram a sua convicção de que a liberdade dos povos africanos dependia da união e da luta contra o colonialismo.
Na década de 1950, Holden Roberto tornou-se um dos principais líderes do nacionalismo angolano. Liderou a União das Populações de Angola (UPA), organização que mais tarde deu origem à Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), movimento que assumiu um papel de destaque na luta contra a administração colonial portuguesa.
A publicação destaca igualmente a criação do Governo Revolucionário de Angola no Exílio (GRAE), presidido por Holden Roberto. A estrutura procurou representar internacionalmente a causa angolana, estabelecendo relações diplomáticas com diversos países africanos e mobilizando apoio político e material para a luta de libertação nacional.
Com a criação da Organização da Unidade Africana (OUA), em 1963, a causa angolana ganhou maior projeção no cenário internacional. A organização reforçou o apoio aos movimentos de libertação africanos, contribuindo para consolidar a solidariedade entre os Estados independentes e acelerar o processo de descolonização do continente.
Embora a história da luta de libertação tenha sido marcada por diferentes estratégias e visões políticas entre os movimentos nacionalistas, Holden Roberto permanece como uma das figuras incontornáveis desse período. O seu trabalho diplomático, a mobilização do apoio internacional e a liderança da FNLA contribuíram para colocar a questão angolana na agenda política africana e mundial.
Ao longo da sua vida, Holden Roberto dedicou-se à defesa da autodeterminação dos povos africanos e da independência de Angola. O seu percurso continua a ser estudado por historiadores e investigadores como parte essencial da construção do nacionalismo angolano.
Neste domingo, ao assinalarem-se 19 anos da sua morte, Angola recorda Holden Roberto como um dos protagonistas da luta de libertação nacional, cuja visão, liderança e ação política marcaram profundamente a história do país e do continente africano. O seu legado permanece vivo na memória nacional e continua a inspirar o estudo da história da independência de Angola.
Fonte: Holden Roberto: O Pai do Nacionalismo (obra utilizada como fonte principal para esta reportagem), complementada com informação histórica de contextualização sobre a luta de libertação de Angola.
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