Luanda, 17 de julho de 2026 – Mais de 20 clínicas e centros de estética foram encerrados em Luanda pelas autoridades angolanas, no âmbito de uma operação conjunta do Serviço de Investigação Criminal (SIC), da Inspeção Geral da Saúde (IGS) e da Direção Nacional dos Hospitais. A ação, que fiscalizou 28 estabelecimentos nos municípios de Talatona, Belas e Samba, foi desencadeada após investigações relacionadas com a morte de duas pacientes durante procedimentos estéticos e revelou graves irregularidades, entre as quais o exercício ilegal da profissão, a falta de licenciamento e a utilização de produtos com o prazo de validade expirado.
A operação faz parte do reforço das ações de fiscalização das autoridades angolanas para garantir o cumprimento das normas legais e sanitárias no setor da saúde e da estética, numa altura em que cresce a preocupação com o funcionamento de clínicas clandestinas e a realização de procedimentos invasivos por pessoas sem qualificação profissional.
Entre os casos que motivaram a intervenção das autoridades destaca-se o encerramento da Clínica de Estética Nice da Luz, após a morte de Flávia Pereira, de 37 anos. De acordo com as investigações, a paciente sofreu uma paragem cardíaca durante um procedimento invasivo de hidrolipo. Na sequência do caso, a proprietária da clínica foi colocada em prisão preventiva enquanto prosseguem as investigações.
Outro estabelecimento encerrado foi um posto de enfermagem clandestino localizado no Mercado dos Kwanzas, onde morreu Madalena Maria, de 26 anos. Segundo a Inspeção Geral da Saúde, a jovem foi submetida à aplicação ilegal de substâncias injetáveis para aumento dos glúteos, conhecidas popularmente como "jarda", por indivíduos sem habilitação para exercer a atividade.
Durante as inspeções, as equipas do SIC, da IGS e da Direção Nacional dos Hospitais encontraram diversas irregularidades consideradas graves. Entre elas, o funcionamento de estabelecimentos sem licenciamento, a comercialização de cosméticos e produtos de beleza com o prazo de validade expirado e a realização de procedimentos médicos e cirúrgicos por falsos profissionais e cidadãos estrangeiros sem autorização para o exercício da profissão.
No decurso da operação, foi igualmente detido em flagrante delito um cidadão de nacionalidade russa, suspeito de exercer ilegalmente atividades ligadas à medicina estética.
As autoridades garantem que as ações de fiscalização vão prosseguir em todo o país, com o objetivo de combater o exercício ilegal da profissão, proteger a saúde pública e assegurar que clínicas e centros de estética cumpram rigorosamente as exigências legais e sanitárias estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
A Inspeção Geral da Saúde apela ainda à população para que, antes de recorrer a qualquer procedimento estético, confirme se o estabelecimento possui licenciamento válido e se os profissionais responsáveis estão devidamente qualificados e autorizados a exercer.
Fontes: Serviço de Investigação Criminal (SIC); Inspeção Geral da Saúde (IGS); Direção Nacional dos Hospitais; Televisão Pública de Angola (TPA).
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