ENTREVISTA EXCLUSIVA — LEWIS BOY: “HIP-HOP É CULTURA. CULTURA É ARTE. ARTE É COMPROMISSO.” - Rádio 8000

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sábado, 29 de novembro de 2025

ENTREVISTA EXCLUSIVA — LEWIS BOY: “HIP-HOP É CULTURA. CULTURA É ARTE. ARTE É COMPROMISSO.”

 


Apresentação: Chakuisa — Rádio 8000


Chakuisa:

Música no ar! Aquilo que estás a ouvir pertence ao nosso convidado especial desta noite. Lewis Boy, mano, seja muito bem-vindo à Rádio 8000. Como está o clima aí no Lubango?

Lewis Boy:

Estamos juntos, motropa! O Lubas está fixe, clima ameno depois da chuva, meio frio mas acolhedor.


Chakuisa:

Para quem não conhece, “Lubas” é Lubango, capital da Huíla. Mano, como é que está o movimento hip-hop aí no Lubango?

Lewis Boy:

O movimento está a crescer. Os mais antigos motivam os mais novos. Todos os dias aparecem rappers com novas sonoridades, mas que engrandecem o rap wilano e nacional.


Chakuisa:

Para quem não sabe, tu és um artista old school que nunca desiste. Hoje, como é que está a cena? Os cotas continuam firmes ou os putos estão a dominar?

Lewis Boy:

Não se chega no 2 sem passar no 1. Nós que estamos nisso há 20 anos continuamos firmes — resistência, persistência e resiliência. Muitos da old school pararam, mas não todos. Na new school há muitos clonados, mas também há putos talentosos a representar bem.


Chakuisa:

Tivemos uma queda na ligação por causa da chuva, mas já estás de volta. Mano, tu és da época do grande bife Tafinha vs MC Terrível. Como era aquele tempo?

Lewis Boy:

Era muito bero. Tafinha e os Mutins na Curva da Morte, Terrível no centro com MC Edu.
O bife começou na arte, mas passou para o lado pessoal — chegou a envolver nomes de pais.
Até os problemas de transporte, o tal helicóptero, começaram por causa desse bife.
Tafinha já se entendeu com o Kid, mas com o Terrível acho que ainda não.

Eu sou da terceira geração do rap no Lubango. Quando eles estavam nas ruas, eu estava a vir com força com o meu grupo. Tudo em nome da arte.


Chakuisa:

Quando eras puto jogavas futebol. Como é que o rap venceu o futebol?

Lewis Boy:

Eu era número 10, craque mesmo. Mas havia poucas equipas federadas e poucas oportunidades fora de Luanda. Muitos talentos ficam esquecidos.
No rap encontrei mais caminho, mais espaço para me expressar e seguir o meu destino.


Chakuisa:

Falaste há pouco do grupo Shoas. Eles tinham tudo para vencer. Por que não vingaram?

Lewis Boy:

Porque talento artístico não é igual a qualidade técnica.
Eles tinham patrocínio, grandes produtores, nomes como Olacimedo, Johnny Ramos, Anselmo Ralph, Guita Filho.
Mas faltou inspiração, faltou talento.
E quando os filhos do Cota não vingam, o pai deixa de investir nos novos artistas. Quem sofre somos nós.


Chakuisa:

E as plataformas digitais? Estão a ajudar?

Lewis Boy:

Muito! Eu venho da era da cassete e do CD. Hoje, graças às plataformas, a minha música furou barreiras — chegou ao Zango, ao Icólo e Bengo, ao mundo.
Isso é de louvar.


Chakuisa:

Como é que surgiu o nome Lewis Boy?

Lewis Boy:

O meu nome é Luiz Moreno Alfredo.
Os meus irmãos chamavam-me Lewis desde puto.
No rap comecei como “Lewis Bow Wow”, inspirado no Lil Bow Wow. Depois ficou só “Lewis Boy”.
O nome inglês tem a ver com a influência americana do rap, apesar de eu ser muito conservador culturalmente.


Chakuisa:

Quais são as tuas referências no rap?

Lewis Boy:

Nacionais: 2M, Black Company, Gabriel o Pensador, MC Bill, Camila, Racionais MC’s.
Internacionais: Tupac, Biggie, Mase, Wu-Tang, Jay-Z, Nas, NWA, Mobb Deep, Busta Rhymes, 50 Cent, The Game, Ludacris, Lil Wayne.
Uma inspiração forte é o Ja Rule — mas é inspiração, não imitação.


Chakuisa:

Quais são os teus projetos lançados até agora?

Lewis Boy:

Guerras e Vitórias (com Street General e Zero Fam)

P.S.C – Participações, Compilações e Conexões

Sentir do Contrário (coletânea Zero Fam)

A.E.P – Biblioteca Mental

Metade de Mil (a terminar)

P.S.C Volume 2 (em preparação)

Já tenho videoclipes disponíveis no YouTube.


Chakuisa:

Mensagem final aos ouvintes da Rádio 8000?

Lewis Boy:

Eu não tenho fãs — tenho acólitos.
A todos que apreciam o meu trabalho e da Zero Fam: continuem fiéis.
Hip-hop é cultura. Cultura é arte. Arte é compromisso.
Enquanto respirarmos, vamos fazer música.


Chakuisa:

Como é que as pessoas podem encontrar a tua música?

Lewis Boy:

Facebook: Lewis Boy Moreno / Lewis El Moreno de F. / Zero Fam Amigos / Zero Fam Lubango
Instagram: @lewisboygf_oficial

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