Descendente de José do Patrocínio, patrono da abolição da escravidão, Doutor Leonardo defende o ensino da história africana e a valorização da ancestralidade para fortalecer a autoestima dos afro-brasileiros.
O racismo estrutural ainda é uma realidade presente no Brasil, segundo alerta o advogado e ativista Doutor Leonardo José do Patrocínio Aragão, descendente de José do Patrocínio, líder que se destacou como patrono da abolição da escravidão no país. Em entrevista à Rádio Oito Mil, Doutor Leonardo abordou a importância de resgatar a identidade africana e fortalecer a autoestima de mais de 120 milhões de brasileiros descendentes de africanos, que correspondem a 55,5% da população nacional.
Doutor Leonardo, que preside o Instituto José do Patrocínio, explicou que a entidade atua em ações judiciais e educativas para combater a discriminação racial. Entre elas, destacou uma Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que reconheceu oficialmente o racismo estrutural no Brasil, um marco histórico que evidencia a urgência de políticas de igualdade racial.
“Mais de 120 milhões de brasileiros descendentes de africanos ainda enfrentam racismo estrutural. Precisamos resgatar nossa ancestralidade para fortalecer a autoestima e a cidadania”, afirmou.
Para Doutor Leonardo, a relação entre Brasil e Angola é estratégica na valorização da história afro-brasileira. Ele ressalta que muitos afro-brasileiros têm origem angolana, mas desconhecem essa conexão com a África. A interação cultural e educacional entre os países é vista como uma ferramenta essencial para resgatar a identidade e a altivez do povo afro-brasileiro.
O advogado destacou também o legado do trisavô: “José do Patrocínio não apenas lutou pela abolição da escravidão, mas também participou da Proclamação da República em 1889. Hoje, nosso desafio é continuar essa luta, garantindo que os afro-brasileiros conheçam sua história e tenham espaços de poder e decisão.”
O Instituto José do Patrocínio promove o ensino da história da África, cumprindo o que determina a Lei 10.639. Contudo, Doutor Leonardo criticou que muitas escolas alegam falta de professores qualificados para abordar o tema, perpetuando o desconhecimento sobre a origem africana da população majoritária do país.
O Doutor anunciou, ainda, planos de visitar Angola em 2026, com o objetivo de fortalecer a interação entre Brasil e África, promover intercâmbio cultural e permitir que afro-brasileiros se reconectem com suas raízes.
Para ele, o conhecimento sobre a história africana é essencial para combater a percepção de inferioridade que ainda afeta os afro-brasileiros: “Se conhecêssemos melhor nossa ancestralidade, teríamos muito orgulho da nossa história e de nossas contribuições para a formação do Brasil.”
Doutor Leonardo concluiu a entrevista destacando a importância da educação e da valorização da cultura africana: “Resgatar nossa identidade e ancestralidade é o caminho para a igualdade e para fortalecer a cidadania de milhões de brasileiros.”
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