Rapper e produtor musical moçambicano, radicado em Portugal, falou sobre os seus primeiros passos na música, a passagem por grupos como Auto Squad e Estaca Zero e os novos projetos da Frequência Music.
O rapper e produtor musical moçambicano N-STAR foi o convidado de uma edição do programa Conexões de Hip-Hop, da Rádio 8000, onde revisitou diferentes momentos da sua trajetória artística e falou sobre os projetos que prepara atualmente em Portugal.
Durante a conversa, o artista destacou que a sua ligação com a música começou ainda na infância, influenciada principalmente pelo ambiente familiar e pela igreja. Segundo N-STAR, desde pequeno esteve próximo do canto coral e começou a cantar na igreja aos oito anos.
A influência dos irmãos, que também estavam ligados à música, contribuiu posteriormente para a sua aproximação ao hip-hop. O artista recordou que começou a escrever letras com amigos e vizinhos e também desenvolvia atividades musicais no ambiente escolar.
Primeira gravação e entrada no circuito musical
Um dos momentos marcantes da sua juventude aconteceu em 1994, quando foi convidado pelo irmão para participar numa gravação. A música, intitulada “Eras Uniga”, contou com a participação de N-STAR, DJ da Most e Sandra, tendo posteriormente sido transmitida numa rádio.
O rapper descreveu a primeira passagem da sua música numa estação de rádio como um momento de grande emoção, que acabou por reforçar a sua decisão de continuar ligado à música.
A partir daí, N-STAR começou também a desenvolver-se como produtor, passando a trabalhar na criação de instrumentais e a aprofundar a sua experiência no rap.
Auto Squad marcou início de uma fase mais profissional
A trajetória ganhou maior consistência com a sua integração no Auto Squad, grupo que reunia nomes como Daniel D, Sem Paus e DJ The Most. N-STAR recorda que era um dos membros mais jovens do grupo.
O coletivo passou a realizar diversos espetáculos e integrou cartazes com artistas nacionais e internacionais que se apresentavam em Moçambique. Entre os nomes mencionados pelo artista estão Black Company, SSP, Boss AC e Positive Black Soul.
N-STAR considera 1999 como o início oficial da sua carreira artística, por entender que, a partir desse período, passou a existir maior disciplina, rigor e compromisso com a produção musical e com o mercado.
Estaca Zero e novos desafios
Depois da fase do Auto Squad, N-STAR continuou a desenvolver a sua carreira como produtor e colaborou com diferentes artistas. Posteriormente, esteve envolvido na criação do Estaca Zero, projeto desenvolvido com JP e outros integrantes.
O grupo apostou numa sonoridade que procurava apresentar novas ideias dentro do hip-hop e acabou por conquistar espaço no circuito musical. O álbum do Estaca Zero foi lançado em 2006, pela Vitisco, e o projeto permitiu ao grupo realizar apresentações e viajar para outros países.
N-STAR destacou ainda o reconhecimento alcançado por músicas do projeto, incluindo “Tema Catachapa”, referida durante a entrevista como uma produção que conquistou destaque no contexto musical moçambicano.
Carreira a solo e produção para outros artistas
Após o Estaca Zero, o artista prosseguiu com a carreira a solo. Em 2007, lançou um álbum a solo pela Globe Music e continuou simultaneamente a trabalhar como produtor.
Ao longo da sua trajetória, N-STAR afirma ter colaborado na produção e desenvolvimento de trabalhos de vários artistas, estabelecendo ligações com diferentes nomes da música moçambicana.
O músico considera que a sua carreira não se resume apenas aos trabalhos lançados em seu próprio nome, destacando também o papel desempenhado no incentivo e desenvolvimento de outros artistas.
Nova fase em Portugal
Atualmente radicado em Vila Nova de Gaia, Portugal, N-STAR vive uma nova etapa da sua carreira. Durante a entrevista, revelou que está envolvido na criação do Frequência Music, um estúdio desenvolvido em parceria com outros profissionais da música.
O espaço reúne artistas e produtores e trabalha atualmente numa compilação da Frequência Music, enquanto os integrantes também desenvolvem projetos individuais.
Segundo N-STAR, a intenção passa não apenas por fortalecer as carreiras dos integrantes, mas também por abrir espaço para novos artistas e rappers, criando oportunidades para talentos que procuram entrar no mercado musical.
Novas músicas a caminho
O artista revelou ainda que já existem músicas preparadas para a compilação da Frequência Music e que os trabalhos deverão ser apresentados ao público em breve.
A nova fase representa, segundo N-STAR, uma oportunidade para continuar a sua carreira artística e de produção, agora inserido no mercado português, sem abandonar a ligação com a cultura hip-hop e com a música moçambicana.
A entrevista foi realizada no programa Conexões de Hip-Hop, apresentado por Carla Rap Diva, da Rádio 8000, programa dedicado à promoção e divulgação da cultura urbana no espaço lusófono.
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