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sábado, 29 de agosto de 2026

Monsta admite responder a novas diss no rap: “Não me desvio de um bom combate lírico”



O rapper angolano Monsta, radicado em Portugal e uma das referências do hip-hop lusófono, revelou que ainda pode responder a uma diss, caso encontre qualidade artística, visibilidade e interesse estratégico no confronto. O artista falava em entrevista exclusiva ao programa “Conexão Hip Hop”, da Rádio 8000.


Monsta mantém espírito competitivo no hip-hop

Conhecido pelo percurso construído dentro do hip-hop e também pela participação em diferentes polémicas e confrontos líricos, Monsta garante que continua ligado ao espírito competitivo que caracteriza o género.


Questionado sobre a possibilidade de responder a uma eventual diss lançada por outro rapper, o artista afirmou que a decisão dependeria do contexto, do autor e, sobretudo, da qualidade do trabalho apresentado.


“Depende do artista, depende da diss”, explicou Monsta, acrescentando que ainda possui uma “veia competitiva” e que gosta de rap.


Para o rapper, um confronto lírico pode fazer sentido quando existe qualidade artística e pode resultar em maior visibilidade e benefício para o seu repertório.


“Não me desvio de um bom combate lírico”, afirmou, deixando claro que não fecha completamente a porta a novos confrontos dentro da música.


Por outro lado, Monsta estabeleceu uma diferença entre competição artística e simples provocações. Segundo o artista, insultos e “baixarias” já não despertam o seu interesse.


“Se for a base de insultos e baixarias, eu já não dou mais atenção a esse tipo de provocações”, declarou.


Uma carreira construída para além das polémicas

Apesar da imagem associada aos chamados “bifes”, Monsta considera que os confrontos não são necessariamente os acontecimentos que mais marcaram a sua carreira.


Na sua perspectiva, o mais importante está na forma como cada situação é enfrentada e resolvida. O artista entende que a maturidade e a experiência adquiridas ao longo dos anos permitiram-lhe encarar os conflitos de maneira diferente.


Monsta recordou ainda que já teve confrontos pessoais com pessoas próximas e que algumas dessas relações acabaram fortalecidas depois da resolução dos problemas.


“A vida é muito mais do que isso”, afirmou, defendendo uma postura mais madura diante das situações.


Do hip-hop angolano para o mundo

Durante a entrevista, Monsta também avaliou o actual momento do hip-hop angolano e moçambicano. Para o artista, os dois movimentos atravessam uma fase positiva, marcada pelo surgimento de novos talentos e pela diversificação do mercado.


O rapper destacou, entretanto, que a exposição proporcionada pela internet faz com que artistas iniciantes alcancem rapidamente públicos internacionais, muitas vezes antes de encontrarem completamente a sua própria identidade sonora.


Na sua avaliação, os artistas mais novos precisam de tempo para desenvolver uma sonoridade própria e consolidar a sua identidade artística.


Monsta defendeu igualmente que as barreiras dentro do hip-hop lusófono vêm sendo ultrapassadas há vários anos, através de colaborações entre artistas e produtores de diferentes países.


O seu próprio percurso, segundo explicou, inclui trabalhos e colaborações com artistas e produtores de Angola, Portugal, Moçambique, Cabo Verde, Brasil e outros espaços da lusofonia.


“Eu não vejo bandeiras, só vejo uma linguagem que é arte”

Ao falar sobre a internacionalização do rap angolano, Monsta rejeitou a ideia de que o género ainda esteja limitado às fronteiras nacionais.


O artista lembrou que já actuou em países como Suíça, Luxemburgo, Espanha, França, Cuba, Estados Unidos, Brasil e Austrália, considerando que essa circulação também representa uma forma de internacionalização do rap produzido por angolanos.


Para Monsta, a música ultrapassa fronteiras e deve ser encarada como uma linguagem capaz de aproximar diferentes povos.


“Eu não vejo bandeiras, eu só vejo uma linguagem que é arte”, afirmou.


Um Monsta diferente em 2026

Ao comparar o artista do início da carreira com o homem que é actualmente, Monsta reconhece uma transformação significativa.


Segundo o rapper, a evolução artística começou primeiro com uma mudança pessoal. Hoje, afirma estar mais maduro e carregar novas responsabilidades familiares, factores que também se reflectem na sua música e na sua trajectória.


A entrevista abordou ainda a sua passagem pela Dope Music, a influência de figuras da sua geração e o percurso que construiu antes e depois desse período.


Monsta garantiu que já possuía identidade própria antes de integrar a Dope Music e que tinha vários projectos a solo anteriores à entrada no colectivo.


Com uma carreira marcada pela evolução artística, confrontos líricos e uma forte presença no circuito do hip-hop lusófono, Monsta continua a defender uma visão competitiva, mas selectiva, sobre os chamados “bifes”.


A mensagem deixada pelo rapper é clara: provocações sem conteúdo não merecem a sua atenção, mas um verdadeiro combate lírico, com qualidade, estratégia e relevância artística, ainda pode encontrar resposta.


A entrevista foi realizada no programa “Conexão Hip Hop”, da Rádio 8000, que continua a dar espaço às principais vozes da cultura urbana angolana e lusófona.


Assista agora a entrevista 



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