Em entrevista à Rádio Zango 8000, rapper brasileiro afirma que o hip-hop continua a salvar vidas, combater a exclusão social e dar esperança às novas gerações
O rapper brasileiro KAYN03 considera que o rap vai muito além da música e deve ser reconhecido como um instrumento de educação, consciência social e transformação da juventude. Em entrevista exclusiva ao programa Conexão Hip Hop, da Rádio Zango 8000, o artista destacou os desafios enfrentados pelos músicos independentes no Brasil e defendeu um maior reconhecimento da cultura hip-hop como força de inclusão e desenvolvimento social.
Natural da Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, KAYN03 contou que iniciou o seu percurso no rap há cerca de dez anos, inspirado por grandes referências do hip-hop brasileiro, entre elas Racionais MC's, Facção Central, SNJ, Expressão Ativa, MV Bill e Sabotage. Segundo o artista, foi o contacto com a cultura urbana, as batalhas de rima e os encontros realizados na estação São Bento e no Vale do Anhangabaú que consolidaram a sua paixão pelo movimento.
Durante a entrevista, explicou que o nome artístico KAYN03 nasceu da sua identificação com o nome bíblico Caim, esclarecendo, contudo, que a escolha representa apenas uma identidade artística e não qualquer ligação às ações da personagem descrita nas Escrituras.
O músico aproveitou a conversa para apresentar o seu primeiro álbum de estúdio, "Sobrevivente do Gueto", lançado em junho deste ano. O trabalho reúne 20 faixas e retrata a realidade das periferias paulistas, abordando temas como desigualdade social, violência, superação, fé e esperança.
KAYN03 revelou que o disco tem sido bem recebido pelo público, tanto nas plataformas digitais como nas comunidades onde atua. Para o artista, o verdadeiro sucesso não se mede apenas pelo número de visualizações, mas sobretudo pelo impacto das mensagens transmitidas através das suas músicas e pelo reconhecimento das pessoas que se identificam com a sua trajetória.
Ao falar sobre os desafios da carreira, destacou que a falta de oportunidades para artistas independentes continua a ser uma das maiores dificuldades. Segundo explicou, muitos músicos enfrentam limitações no acesso a estúdios, produtores, eventos e espaços de divulgação, tornando o percurso artístico mais exigente.
Na sua visão, o rap ainda sofre preconceitos em vários setores da sociedade brasileira, apesar de desempenhar um papel importante na formação da juventude. KAYN03 defendeu que o género musical deve ser encarado como uma ferramenta capaz de afastar jovens da criminalidade, do consumo de drogas e de outras situações de risco.
"O rap deve ser visto como uma ferramenta de educação e de ensino para os jovens", afirmou o artista, sublinhando que a cultura hip-hop continua a transmitir valores de respeito, consciência e resistência.
Entre as maiores influências da sua carreira, destacou o legado de Sabotage, bem como artistas e grupos como MV Bill, Consciência Humana, Realidade Cruel e Facção Central, nomes que considera fundamentais para a evolução do rap brasileiro.
No encerramento da entrevista, KAYN03 agradeceu o convite da Rádio Zango 8000 e enalteceu o trabalho desenvolvido pelo programa Conexão Hip Hop na promoção do hip-hop lusófono. O rapper convidou ainda os ouvintes a conhecerem o álbum "Sobrevivente do Gueto", disponível nas principais plataformas digitais e no seu canal oficial no YouTube.
A entrevista reforçou a aproximação entre as cenas do hip-hop de Angola e do Brasil, evidenciando a música como uma ponte cultural capaz de unir povos, partilhar experiências e inspirar novas gerações através da arte e da consciência social.
Assista agora
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