
País africano tornou-se uma das principais vozes do movimento internacional que exige desculpas formais, perdão de dívidas e compensações das nações e instituições que beneficiaram do comércio transatlântico de pessoas escravizadas.
Gana assumiu uma posição de destaque no debate internacional sobre reparações pela escravidão e pelo tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, intensificando a pressão sobre países europeus e os Estados Unidos.
A iniciativa ganhou novo impulso em 2026, depois de Gana apresentar às Nações Unidas uma resolução sobre o legado da escravidão. Em março, a ONU aprovou uma resolução que reconhece a escravidão como “o maior crime contra a humanidade”, embora os Estados Unidos e a Argentina tenham votado contra e os países europeus tenham optado pela abstenção.
Em junho, a capital ganesa, Accra, recebeu uma cúpula internacional dedicada às reparações, que reuniu representantes de cerca de 80 países. Durante o encontro, os participantes defenderam que a compensação pelas consequências da escravidão constitui uma dívida histórica que permanece por resolver.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana, Samuel Okuzeto Ablakwa, destacou a tradição do país na defesa do pan-africanismo e na luta contra o legado colonial.
A posição de Gana também ganhou respaldo institucional da União Africana, que atribuiu ao país uma responsabilidade especial como “defensor da justiça restaurativa”.
Entre as reivindicações apresentadas no debate internacional estão pedidos formais de desculpas, compensações financeiras, perdão de dívidas e outras formas de reparação destinadas às sociedades afectadas pelo tráfico transatlântico e pela escravidão.
O tema continua, contudo, a gerar forte resistência entre alguns dos países apontados como responsáveis históricos. O Reino Unido, que desempenhou um papel central no tráfico transatlântico juntamente com outras potências europeias, tem rejeitado a possibilidade de pagar reparações financeiras.
A discussão coloca novamente no centro do debate internacional o impacto económico, social e humano da escravidão e a responsabilidade dos Estados e instituições que dela beneficiaram.
Fonte :BBC NEWS BRASIL
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