A cantora e compositora angolana Dionísia dos Santos Pérez, artisticamente conhecida como Escorpiana, revelou, em entrevista, os principais momentos da sua trajetória musical, desde as brincadeiras da infância até à afirmação como artista profissional.
Natural de Luanda e nascida a 24 de outubro de 2002, Scorpiana conta que a paixão pela música começou ainda na infância, influenciada pelo ambiente musical dos pais. Antes de se dedicar à música secular, integrou um grupo coral da igreja, experiência que considera fundamental para o desenvolvimento da sua vocação artística.
Aos 12 anos, começou a escrever as primeiras músicas, inicialmente de inspiração religiosa. Aos 14, passou a explorar temas românticos e escreveu a sua primeira composição no estilo Zouk, em 2016.
Durante a infância, a cantora já transformava as brincadeiras com as vizinhas em pequenos espetáculos. Improvisava palcos, reunia crianças do bairro e cantava para o seu público, numa demonstração precoce do desejo de seguir a música.
Influências musicais
Entre as principais referências da artista está Anselmo Ralph, cujas músicas marcaram a sua infância e adolescência. Scorpiana também destaca a influência da música cabo-verdiana, que conheceu através do pai.
Na adolescência, passou igualmente a acompanhar artistas angolanos como Pérola e Ari, mantendo até hoje uma ligação forte com músicas românticas.
Primeiros passos e resistência da família
A decisão de transformar a paixão pela música numa carreira profissional não foi inicialmente bem recebida pela família. Segundo Scorpiana, os pais tinham receio dos riscos associados ao mundo artístico e chegaram a impedir algumas das suas saídas para gravações e atuações.
A situação mudou quando os familiares começaram a perceber que a música era, de facto, uma escolha séria. Uma das situações decisivas foi a primeira ida da cantora a uma rádio para apresentar o seu trabalho.
A partir daí, os pais passaram a apoiá-la, embora mantendo recomendações para que preservasse os seus valores e não permitisse que o ambiente artístico alterasse a sua personalidade.
Primeira gravação aconteceu em 2021
A primeira experiência de Scorpiana num estúdio aconteceu em 2021, nas proximidades do Palanca/Capalanga. Foi nesse período que gravou a música “Player”, trabalho que considera um dos momentos mais marcantes da sua trajetória.
A artista recorda que sentiu muito nervosismo ao entrar pela primeira vez num estúdio, principalmente por estar rodeada de outros músicos. No entanto, conseguiu realizar a gravação e saiu da experiência motivada a continuar.
A primeira atuação num palco aconteceu posteriormente no Malueca, em Cacuaco. Inicialmente tímida, Scorpiana admite que teve dificuldades para se movimentar e explorar a presença cénica, mas a boa reação do público serviu de incentivo para melhorar.
Investimento e dificuldades no mercado musical
Segundo a cantora, uma das principais dificuldades para quem pretende construir uma carreira musical é o investimento necessário para produzir e promover os trabalhos.
Scorpiana revelou que começou a trabalhar para conseguir financiar as próprias gravações, videoclipes e outros projetos relacionados à carreira.
Além dos desafios financeiros, a artista denuncia também situações de assédio enfrentadas por mulheres no meio artístico. Conta que já recebeu propostas em que pessoas demonstravam interesse em obter algo pessoal em troca de oportunidades profissionais.
Perante essas situações, defende uma postura firme e a preservação dos princípios pessoais.
“Sou tua” e novos projetos
Profissionalmente, Escorpiana afirma ter começado a dedicar-se mais à música em 2024. Atualmente, conta com trabalhos gravados como “Player” e “Sou tua”, além de uma nova música em preparação, também voltada para uma história de amor.
A cantora pretende ainda produzir um videoclipe para “So tua”, projeto que considera importante para consolidar a sua presença no mercado.
Com uma sonoridade marcada pelo Zouk e por histórias de amor, desilusão e acontecimentos do quotidiano, Escorpiana promete continuar a trabalhar para levar a sua música a diferentes públicos dentro e fora de Angola.
A artista encerrou a entrevista com uma interpretação ao vivo, deixando uma pequena amostra do seu trabalho e da identidade musical que pretende construir ao longo da carreira.
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