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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Albino Pakissi critica uso da polícia em conflito sobre enterro de príncipe no Moxico Leste

 



O comentarista político e teólogo Albino Pakissi criticou a forma como as autoridades lidaram com o enterro de um príncipe no Moxico Leste, defendendo maior respeito pelas tradições culturais e pelos rituais das comunidades locais.


Durante a sua intervenção, Albino Pakissi afirmou que Angola é um “mosaico cultural”, onde coexistem diferentes ritos, valores, princípios e tradições que devem ser compreendidos e respeitados pelas autoridades.


Segundo o comentarista, a situação ocorrida no Moxico Leste demonstra uma alegada falta de compreensão sobre as práticas tradicionais relacionadas com a morte e o enterro de soberanos e autoridades tradicionais.


“Quem governa uma província tem que perceber o que é uma cultura”, afirmou Albino Pakissi, apelando ao governador do Moxico Leste, Crispiniano dos Santos, para que procure compreender as especificidades culturais da região.

 

Pakissi questionou ainda a decisão de recorrer à Polícia de Intervenção Rápida (PIR) para intervir numa situação que, na sua avaliação, deveria ter sido inicialmente tratada através do diálogo com as autoridades tradicionais, familiares e especialistas em cultura.


O comentarista defendeu que, antes de recorrer à força policial, o Governo deveria procurar saber junto das comunidades e dos mais velhos quais são os procedimentos tradicionais aplicáveis ao enterro de um príncipe ou soberano.


Albino Pakissi mencionou também a existência de práticas semelhantes noutras regiões de Angola, citando, entre outros exemplos, comunidades tradicionais da província de Cabinda, onde algumas famílias possuem espaços próprios de sepultamento ligados às suas residências ou territórios familiares.


Na sua intervenção, criticou igualmente o tratamento dado ao bispo Dom Lazarte, às autoridades tradicionais e aos familiares do falecido, considerando que o recurso a gás lacrimogéneo e outros meios de intervenção policial pode contribuir para o agravamento do conflito.


“Não usem a nossa polícia assim, de qualquer maneira”, apelou, defendendo que problemas de natureza cultural devem ser enfrentados com inteligência cultural, diálogo e conhecimento das tradições.


O comentarista recomendou ainda a leitura de obras sobre a cultura tradicional bantu, destacando a importância de os responsáveis políticos conhecerem as realidades culturais das comunidades que governam.


Para Albino Pakissi, o episódio deve servir de alerta para que os jovens governantes procurem ouvir os mais velhos e as autoridades tradicionais antes de tomar decisões relacionadas com matérias culturais e tradicionais.


“Não façam isso. Não compliquem a vossa vida. Vocês são jovens”, apelou aos governantes.


Ao concluir, o comentarista voltou a defender uma abordagem baseada no diálogo e no respeito, alertando que a utilização inadequada da força policial pode prejudicar a imagem das instituições e das próprias autoridades.


Pakissi considera, por isso, necessário que situações semelhantes sejam analisadas à luz das tradições locais, evitando confrontos e procurando soluções que conciliem as normas administrativas do Estado com os valores culturais das comunidades.


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