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sábado, 18 de julho de 2026

Nikel destaca legado de Azagaia e defende maior união no Hip Hop moçambicano



O rapper moçambicano Nikel afirmou que o álbum "9 de Março", lançado em homenagem ao malogrado rapper Azagaia, representa uma das obras mais marcantes da sua carreira, fruto de um processo de criação intenso, marcado pela pesquisa, reflexão e emoção.


As declarações foram feitas durante uma entrevista concedida ao programa Conexão Hip Hop, da Rádio 8000, conduzido por Karla Rap Diva, onde o artista abordou o percurso do projeto, o atual estado do Hip Hop moçambicano e as iniciativas que tem desenvolvido para fortalecer a cultura hip-hop no seu país.




Ao recordar o nascimento do álbum, Nikel explicou que nunca teve a intenção inicial de produzir uma obra dedicada a Azagaia. Segundo disse, a morte do rapper acabou por motivar a criação do projeto, que surgiu num período de profundo impacto emocional.


"O álbum nasceu num momento muito difícil. Foi necessário pesquisar, refletir e encontrar a melhor forma de homenagear um artista que marcou profundamente o Hip Hop moçambicano", afirmou.


O músico revelou que cada música foi cuidadosamente construída, desde a seleção das instrumentais até ao desenvolvimento das mensagens, procurando criar uma obra coerente e capaz de transmitir o legado deixado por Azagaia.


Apesar de ser um tributo ao artista, Nikel considera que 9 de Março vai além da homenagem, ao abordar igualmente questões sociais e humanas.


Álbum bem recebido

Durante a conversa com Karla Rap Diva, o rapper fez uma avaliação positiva da receção do álbum, destacando o apoio do público e da família de Azagaia, que marcou presença na apresentação oficial da obra.




O artista recordou igualmente que várias figuras do Hip Hop lusófono prestaram homenagem ao rapper moçambicano, referindo iniciativas protagonizadas por artistas como Valete, em Portugal, e Kid MC, em Angola, entre outros nomes que contribuíram para manter viva a memória de Azagaia.


Para Nikel, a aceitação do projeto demonstrou que o principal objetivo foi alcançado: preservar o legado de uma das maiores referências da cultura Hip Hop em Moçambique.


Hip Hop moçambicano "está de boa saúde"

Questionado sobre a realidade do movimento Hip Hop em Moçambique, Nikel rejeitou a ideia de que o género esteja em crise.


Na sua perspetiva, o país possui artistas talentosos, estúdios de qualidade e uma produção musical cada vez mais consistente. Contudo, considera que o maior desafio passa pela criação de mecanismos que permitam transformar essa produção artística numa indústria sustentável.


O rapper defendeu ainda uma maior união entre os intervenientes do movimento, criticando as constantes divisões e debates que, na sua opinião, pouco contribuem para o crescimento da cultura Hip Hop.




Listen Session promove artistas nacionais

Outro dos temas abordados na entrevista foi o projeto Listen Session, iniciativa organizada mensalmente no restaurante Roots, em Maputo.


Segundo explicou, o projeto foi criado para dar maior visibilidade aos álbuns produzidos por artistas moçambicanos, funcionando como um espaço de partilha entre músicos e público, onde são discutidos os processos criativos e as mensagens presentes nas obras.


Além da carreira artística, Nikel considera esta iniciativa uma forma de contribuir para a valorização da música nacional e para o fortalecimento do Hip Hop moçambicano.


No final da entrevista, o rapper agradeceu o convite da apresentadora Karla Rap Diva e elogiou o trabalho desenvolvido pelo programa Conexão Hip Hop e pela Rádio 8000 na promoção do Hip Hop lusófono, destacando a importância de aproximar artistas e públicos dos diferentes países de língua portuguesa.


Ouça a entrevista :


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