Luanda – A administradora executiva do Banco Nacional de Angola (BNA), Marília Poças, afirmou que a digitalização dos serviços financeiros constitui um dos principais instrumentos para acelerar a inclusão financeira no país, permitindo ampliar o acesso da população ao sistema bancário por meio dos pagamentos móveis e digitais.
Em entrevista ao programa Tec Hoje Digitalização, divulgada pela ANGOP, a responsável explicou que a Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2025-2027 elegeu a transformação digital como um dos pilares para aumentar o número de cidadãos com acesso aos serviços financeiros.
Segundo Marília Poças, Angola registou uma taxa de 51,7% de inclusão financeira no primeiro trimestre do ano, acima dos cerca de 49% verificados no início da implementação da estratégia. A meta estabelecida é atingir 65% até 2027.
A administradora destacou que os canais digitais permitem chegar "mais longe e mais rapidamente" aos utilizadores, contribuindo para a expansão dos serviços financeiros em todo o território nacional.
No domínio da literacia financeira, explicou que o BNA está a desenvolver programas de educação destinados a diferentes segmentos da população, incluindo a introdução de conteúdos sobre educação financeira no sistema de ensino e ações dirigidas aos beneficiários de programas sociais como o Kwenda e o PAFAR, com o objetivo de promover uma utilização segura e consciente dos serviços financeiros.
Marília Poças referiu igualmente que a estratégia contempla medidas para facilitar o financiamento às pequenas e médias empresas (PME), através da revisão da regulamentação do microcrédito, das cooperativas agrícolas e de outras modalidades de financiamento não bancário.
A responsável salientou ainda que a inclusão financeira depende da articulação entre diversas instituições públicas e privadas, envolvendo o sistema financeiro, operadores de telecomunicações, reguladores e outros parceiros responsáveis pelo reforço das infraestruturas digitais e da conectividade.
Sobre as perspetivas para a próxima década, considerou que Angola poderá alcançar níveis de inclusão financeira superiores a 80%, acompanhando a evolução registada em vários países africanos que apostaram na transformação digital e nos pagamentos eletrónicos.
Fonte: ANGOP
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