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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Crise migratória em Ceuta agrava-se com milhares de pessoas a pressionarem a fronteira e pelo menos 19 mortos

 


CEUTA, Espanha – A fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta voltou a transformar-se num dos principais focos da crise migratória na Europa, com milhares de migrantes a tentarem entrar em território espanhol, numa situação que já provocou pelo menos 19 mortos e obrigou o Governo de Espanha a mobilizar as Forças Armadas para reforçar a segurança da cidade.


A escalada da tensão começou na quinta-feira, quando grandes grupos de migrantes derrubaram parte da vedação fronteiriça, desencadeando a maior crise migratória na região desde 2021. Em resposta, o Governo liderado por Pedro Sánchez anunciou o destacamento de militares para apoiar a Guarda Civil na manutenção da ordem e da segurança em Ceuta.


O primeiro-ministro espanhol, acompanhado pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, desloca-se esta sexta-feira ao enclave para acompanhar a situação no terreno e avaliar as medidas de resposta à emergência.


Do lado marroquino, as autoridades intensificaram os controlos na tentativa de travar novas entradas. Ainda assim, milhares de pessoas, maioritariamente jovens, continuam concentradas nas colinas próximas da fronteira. Em alguns momentos, registaram-se confrontos, com manifestantes a lançarem pedras contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar a multidão.


Apesar do reforço policial, o fluxo de migrantes por via marítima mantém-se praticamente ininterrupto. Muitas pessoas continuam a contornar a costa para alcançar Ceuta, considerada uma das principais portas de entrada para a Europa a partir do continente africano.


O presidente do Governo Regional de Ceuta, Juan Jesús Vivas, voltou a pedir o envio do Exército, alertando para o colapso dos centros de acolhimento. Segundo o responsável, mais de 1.500 migrantes entraram na cidade apenas na última semana, deixando centenas de pessoas sem alojamento e obrigadas a pernoitar nas ruas.


Entretanto, Madrid confirmou que Rabat está a cooperar na gestão da crise. Os dois países acordaram acelerar o processo de repatriamento das pessoas que entraram ilegalmente em território espanhol, embora o Executivo espanhol tenha rejeitado decretar o estado de emergência nacional, defendendo que a atual pressão migratória não constitui uma ameaça à segurança nacional.


A crise gerou igualmente reações no panorama político europeu. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, admitiu suspender a aplicação do Acordo de Schengen em relação a Espanha, alegando a necessidade de proteger as fronteiras italianas, uma declaração que foi criticada pelo Governo espanhol como sendo "demagógica".


Segundo dados oficiais, até 15 de julho cerca de 3.000 migrantes já tinham conseguido entrar em Ceuta por terra ou por mar durante este ano. As autoridades espanholas deverão divulgar um novo balanço da pressão migratória no próximo dia 3 de agosto.


A atual situação faz recordar a crise de maio de 2021, quando mais de 8.000 migrantes atravessaram a fronteira de Ceuta em apenas dois dias, após uma alegada flexibilização dos controlos por parte de Marrocos, na sequência de um diferendo diplomático entre Rabat e Madrid.


Ceuta, enclave espanhol localizado no norte de África desde o século XVI, continua a ser um dos principais pontos de passagem para milhares de migrantes africanos que procuram alcançar território europeu em busca de melhores condições de vida.


Fonte: SIC Notícias e Lusa.

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