Luanda – A empresária angolana Isabel dos Santos afirmou, em entrevista exclusiva à Rádio Essencial, que a recente decisão do Tribunal da Relação de Lisboa representa uma importante confirmação da sua versão sobre o investimento realizado na empresa portuguesa Efacec. Segundo a empresária, o acórdão demonstra que os recursos utilizados na aquisição da participação foram provenientes de capitais próprios e financiamento bancário, rejeitando alegações de utilização de fundos públicos angolanos.
Durante a entrevista, Isabel dos Santos manifestou satisfação com a decisão judicial, embora tenha lamentado o tempo necessário para a resolução do processo. A empresária referiu que foram necessários seis anos para comprovar aquilo que considera ter sido sempre evidente através de contratos, financiamentos bancários e documentação existente.
A antiga acionista da Efacec destacou ainda que pretende continuar a recorrer a outras instâncias judiciais, incluindo tribunais constitucionais e organismos europeus, para contestar a nacionalização da sua participação na empresa portuguesa. Isabel dos Santos argumenta que apenas as suas ações foram nacionalizadas, sem qualquer indemnização, situação que considera injusta e geradora de elevados prejuízos financeiros.
Ao abordar os processos judiciais que enfrenta em Angola, a empresária voltou a denunciar o que considera ser uma perseguição política iniciada após a chegada do Presidente João Lourenço ao poder. Isabel dos Santos afirmou que as acusações relacionadas com a sua gestão na Sonangol e outros investimentos são falsas e garantiu que pretende provar a sua inocência em tribunais internacionais.
Questionada sobre a origem da sua fortuna, a empresária explicou que o seu percurso empresarial começou há cerca de três décadas, através de pequenos negócios e investimentos realizados ao longo dos anos. Isabel dos Santos defendeu que o crescimento do seu património resultou do desenvolvimento de empresas, criação de empregos e reinvestimento dos lucros obtidos.
A empresária recordou ainda a conhecida história da venda de ovos durante a infância, explicando que a experiência simboliza o espírito empreendedor que adquiriu ainda jovem, num período marcado pelas dificuldades económicas e pela guerra em Angola.
Sobre a sua ligação familiar ao antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, Isabel dos Santos reconheceu que teve acesso a melhores oportunidades de formação e contactos, mas sustentou que o sucesso das suas empresas resultou da aplicação do conhecimento adquirido e do trabalho desenvolvido ao longo dos anos.
Na parte final da entrevista, Isabel dos Santos criticou a forma como foram conduzidos processos relacionados com participações empresariais na Unitel e noutras empresas, alegando que a insegurança jurídica prejudica a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros. A empresária defendeu que o respeito pela propriedade privada e pela independência dos tribunais são elementos fundamentais para atrair investimento e promover o desenvolvimento económico de Angola.
Isabel dos Santos reafirmou que continuará a recorrer aos mecanismos legais disponíveis para defender a sua posição e procurar reparação pelos prejuízos que diz ter sofrido nos últimos anos.

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