No dia em que se assinala o Dia de África, celebrado a 25 de maio, cidadãos angolanos e africanos defenderam maior união, valorização da cultura, preservação das tradições e melhorias nas condições sociais e económicas do continente.
Em reportagem da Rádio Zango 8000, populares de Luanda, Viana e Icolo e Bengo, bem como vozes de Moçambique e do Namibe, refletiram sobre os desafios e as esperanças para uma África mais forte e desenvolvida.
A data que marca a fundação da Organização da Unidade Africana, atual União Africana, serviu para ouvir diferentes sensibilidades sobre o presente e o futuro do continente.
Nas ruas do Icolo e Bengo, a farmacêutica Alcinda Ribeiro destacou o orgulho de ser africana e a necessidade de união entre os povos. Vestida com trajes africanos, afirmou: “Primeiramente, primeiro africano, segundo africano, terceiro africano. Uma vez africano, africano para sempre.”
Alcinda defendeu ainda mais amor entre os povos africanos da lusofonia, deixando um apelo de fraternidade e identidade cultural.
Também farmacêutica, Odete Sebastião abordou a questão da migração de jovens africanos para outros continentes. Apesar de compreender a saída de muitos cidadãos em busca de melhores condições de vida, apelou ao regresso daqueles que conseguem oportunidades fora de África. “Vamos melhorar a África, vamos lutar pela nossa África. E acredito que podemos vencer. É meio difícil, mas não é impossível”, afirmou.
Odete reconheceu ainda que muitos africanos acabam por não valorizar devidamente a data, devido às exigências do quotidiano, mas reforçou o orgulho nas raízes africanas: “Sinto-me orgulhosa de ser africana, porque nós temos uma identidade.”
A estudante e miniempreendedora Cleia Domingos defendeu mudanças em algumas leis nos países africanos, argumentando que certas medidas não beneficiam a população. “Acreditaria que tinha que mudar algumas leis que não são de benefícios para os angolanos”, disse.
Cleia apelou também à valorização da cultura africana: “Devíamos valorizar mais a nossa cultura e não nos prender simplesmente na cultura dos outros.”
Entre os jovens entrevistados, o estudante Simão apontou preocupações ligadas ao ambiente e à limpeza urbana. Segundo o jovem, África precisa de mudanças “na lixeira e no meio ambiente em si mesmo”.
Outra cidadã entrevistada nas ruas de Luanda lamentou a fraca valorização do Dia de África e apelou a uma celebração mais expressiva da data: “Estamos em África, devemos melhorar este dia como um dia especial.”
A reportagem ouviu igualmente o rapper moçambicano Jaggy, que falou sobre os desafios políticos e os conflitos armados no continente. O artista mostrou orgulho pelas origens africanas, mas preocupação com a exploração dos recursos naturais. “A África é rica em diversos tipos de recursos e, por conta desses recursos, as pessoas tornam-se muito ambiciosas”, afirmou.
Jaggy acredita que uma distribuição mais equilibrada das riquezas poderia reduzir os conflitos armados no continente. Sobre a migração africana, destacou a necessidade de facilitar a circulação entre os países: “O importante é que as fronteiras estejam abertas para que a gente consiga fazer essas migrações.”
Do Namibe, o músico angolano Cândido Ananás destacou a importância de viver a cultura africana no dia a dia e não apenas preservá-la simbolicamente. “A tradição oral se vive todos os dias”, afirmou.
O artista defendeu ainda maior aproximação entre a vida urbana e as tradições do campo: “Todos nós, sobretudo em África, temos origem no campo.”
Em Luanda, a repórter Emiliana Cambila ouviu moradores do município de Viana. Maria Arsénio descreveu África como um continente de riquezas e resistência histórica. “O continente africano é o berço da humanidade, rodeado de maravilhas e grandes riquezas”, afirmou.
Maria lembrou ainda os tempos de colonização e escravidão, deixando uma mensagem de esperança aos povos africanos: “Que continuamos a ser esse povo maravilhoso, grandioso e cheio de garra.”
No Dia de África, as vozes ouvidas pela Rádio Zango 8000 convergem num mesmo apelo: mais união, paz, valorização cultural e desenvolvimento sustentável para o continente. Apesar dos desafios políticos, sociais e económicos, permanece viva a esperança de uma África mais estável, próspera e capaz de garantir melhores condições de vida aos seus povos.

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