O aumento alarmante de casos de violação e abuso sexual contra mulheres e crianças em Angola está a mobilizar diferentes sectores da sociedade. Desta vez, autoridades tradicionais decidiram quebrar o silêncio e exigir medidas severas contra os autores destes crimes, muitos deles cometidos por familiares, líderes religiosos e pessoas próximas das vítimas.
Os casos de violação, abuso e agressão sexual continuam a crescer de forma preocupante em Angola, envolvendo sobretudo mulheres e crianças vítimas de pessoas próximas, como familiares, líderes religiosos e professores. Perante o aumento alarmante destes crimes, autoridades tradicionais decidiram juntar-se ao movimento nacional de denúncia e exigem agora medidas mais duras para travar o fenómeno que está a chocar o país.
Durante a Assembleia Constituinte da Associação de Soberania Tradicional de Angola (ANSTA), realizada no último fim-de-semana na cidade do Lubango, província da Huíla, o combate ao abuso sexual dominou os debates. Os representantes tradicionais defenderam uma maior responsabilização criminal dos autores destes actos e apelaram à união da sociedade na protecção das vítimas.
De acordo com dados apresentados pela Polícia Nacional na Huíla, a província regista semanalmente entre 14 e 21 casos de abuso e agressão sexual contra meninas e mulheres de diferentes idades. As autoridades revelam ainda que muitos dos suspeitos são familiares das vítimas ou líderes religiosos, situação que continua a gerar forte indignação social.
A crescente onda de crimes sexuais tem motivado vários pronunciamentos públicos. Depois dos reiterados apelos da Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, as autoridades tradicionais reforçam agora a necessidade de prevenção, denúncia e punição exemplar dos agressores.
Especialistas e activistas sociais defendem igualmente campanhas permanentes de sensibilização nas comunidades, escolas e igrejas, alertando que o silêncio e o medo continuam a impedir muitas vítimas de denunciarem os abusos.
Fonte: Jornal O País

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