Editorial | Quando um penteado se torna um obstáculo: uma reflexão sobre o atendimento nos serviços públicos - Rádio 8000

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terça-feira, 21 de abril de 2026

Editorial | Quando um penteado se torna um obstáculo: uma reflexão sobre o atendimento nos serviços públicos


Por Chakuisa Dos Santos Muachinguenji (Rádio Zango 8000)


Há experiências que não se esquecem facilmente. Não apenas pelo que aconteceu, mas pelo sentimento que deixam. Hoje escrevo este editorial não apenas como comunicador, mas como cidadão que saiu de um atendimento público com um profundo sentimento de insatisfação e indignação.


Cheguei ao local de atendimento para tratar o meu passaporte, num posto do SME do Zango 8000, por volta das 06h20. Estava na 16ª posição da fila. Como qualquer cidadão, respeitei a ordem, aguardei pacientemente e passei longas horas à espera do meu momento. O processo foi demorado, como tantas vezes acontece nos serviços públicos.


 No entanto, o que mais me marcou não foi a espera.

Já próximo do atendimento, fui informado por uma funcionária de que não poderia prosseguir com o processo por estar com tranças. A justificação foi direta: “não se pode tirar fotografia com tranças”.


Questionei a decisão, até porque no meu Bilhete de Identidade e no meu passaporte anterior constam fotografias com o mesmo tipo de penteado, sem qualquer impedimento. Ainda assim, a resposta manteve-se inalterada.

Saí daquele atendimento frustrado e, acima de tudo, confuso.


Este episódio levanta uma questão que vai além do meu caso pessoal: a uniformização dos critérios nos serviços de identificação em Angola. Até que ponto as regras estão claramente definidas e, sobretudo, corretamente aplicadas por todos os funcionários?


É importante sublinhar que, tanto no Bilhete de Identidade como no passaporte, não existe qualquer norma que proíba tranças ou penteados naturais. O essencial é a identificação clara do rosto, conforme padrões biométricos internacionais.


O problema surge quando interpretações individuais se sobrepõem às regras oficiais, criando constrangimentos desnecessários aos cidadãos.


Como comunicador e responsável por uma plataforma de informação, não posso ignorar este tipo de situações. Não se trata apenas de um caso isolado, mas de um reflexo de uma realidade que merece reflexão e melhoria.

Os serviços públicos devem ser espaços de eficiência, clareza e respeito pelo cidadão. Quando isso não acontece, é a confiança no sistema que fica fragilizada.


Termino este editorial com um apelo construtivo: que haja mais formação, mais clareza e mais uniformidade na aplicação das regras, para que situações como esta não se repitam.


Porque no fim do dia, não deveria ser o penteado que define a cidadania de alguém, mas sim o respeito com que cada cidadão é tratado

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