Lisboa, 21 de janeiro de 2026 – O candidato presidencial André Ventura afirmou, numa entrevista à CHEGA TV, que a segunda volta das eleições presidenciais representa uma escolha clara entre a continuidade do sistema político atual e uma rutura com o que classifica como “a casta”. Defendendo que o eleitorado não socialista venceu a primeira volta, embora de forma fragmentada, Ventura apelou à união da direita e do centro-direita para impedir a eleição de um Presidente socialista.
Na primeira entrevista após o ato eleitoral, André Ventura começou por agradecer aos eleitores, sublinhando que a liderança do espaço político não socialista representa “a maior honra da sua vida”. Segundo o candidato, a fragmentação das candidaturas foi determinante para o cenário atual, mas considera que a soma dos votos demonstra uma maioria alternativa ao socialismo.
“Não é esquerda contra direita, é sistema contra antissistema”
Ao longo da entrevista, Ventura rejeitou a leitura tradicional esquerda-direita, afirmando que a disputa presidencial é, sobretudo, entre quem pretende manter o sistema político vigente e quem defende uma mudança estrutural. Criticou dirigentes e figuras históricas da direita que anunciaram apoio ao candidato socialista António José Seguro, acusando-os de votar “contra Ventura” e não por convicção ideológica.
“O sistema sente-se ameaçado pela primeira vez”, afirmou, acrescentando que esta reação explica alianças que considera contraditórias com o percurso político de vários dirigentes.
Presidente exigente, mas institucional
Questionado sobre o papel do Presidente da República, André Ventura defendeu uma magistratura de influência ativa, sem cair na instabilidade institucional. Garantiu que, se eleito, não será um “Presidente de enfeitar”, mas também não pretende governar no lugar do Executivo.
Ventura afirmou que exigirá resultados concretos em áreas como saúde, justiça, impostos e imigração, defendendo que o Presidente deve intervir politicamente sempre que o país esteja a falhar. Como exemplo, criticou os tempos de espera no Serviço Nacional de Saúde e disse que não hesitaria em confrontar o Governo caso persistam falhas graves.
Relação com o Governo e estabilidade política
O candidato do Chega rejeitou a ideia de que seria um fator de instabilidade, lembrando que o partido tem sido capaz de negociar com o Governo em matérias fundamentais, como imigração, nacionalidade, impostos e habitação. Considera, por isso, que tem maior capacidade de gerar consensos do que o seu adversário.
Sobre a dissolução do Parlamento, Ventura afirmou que não pretende criar instabilidade e que tudo fará para garantir a aprovação do Orçamento do Estado, sublinhando o contexto económico e internacional sensível que Portugal atravessa.
Justiça, jornalismo e coesão nacional
Na área da justiça, André Ventura defendeu reformas e maior celeridade processual, garantindo, no entanto, respeito absoluto pela independência dos tribunais. O mesmo compromisso foi assumido em relação à liberdade de imprensa, apesar das críticas que mantém ao funcionamento do jornalismo em Portugal.
Quanto à coesão nacional, respondeu às críticas sobre declarações e cartazes polémicos, afirmando que exigir o cumprimento da lei não põe em causa a unidade do país. Segundo Ventura, o Estado deve priorizar quem trabalha, os reformados e os ex-combatentes, garantindo igualdade perante a lei.
“Vou lutar milímetro a milímetro para vencer”
Concluindo, André Ventura afirmou que encara a segunda volta como uma batalha decisiva para o futuro político do país. Reconhecendo que parte com dificuldades e enfrenta um forte movimento contrário, garantiu que lutará “dia a dia, milímetro a milímetro”, para convencer os eleitores de que Portugal precisa de mudança e não de continuidade.
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