15 de janeiro de 2026 — Os cidadãos do Uganda iniciaram hoje o processo de votação para escolher o seu Presidente e membros do Parlamento numa jornada eleitoral que tem sido marcada por controvérsias, restrições à comunicação e um clima político tenso.
O atual Presidente, Yoweri Museveni, de 81 anos, procura um sétimo mandato consecutivo, mantendo um poder que detém desde 1986. Museveni já removeu, em anos anteriores, limites de mandatos e idade da constituição para permitir a sua continuação no cargo.
O seu principal rival é Robert Kyagulanyi Ssentamu, mais conhecido por Bobi Wine — um popular músico transformado em líder opositor que mobiliza grande parte dos eleitores jovens e urbanos.
Além de Wine, há outros candidatos, mas a corrida tem sido dominada pela controvérsia entre estas duas figuras.
Nos dias que antecederam a votação, o governo impôs um bloqueio nacional de internet, alegando motivos de segurança e combate à desinformação — uma medida que tem sido amplamente criticada por organizações de direitos humanos e pela ONU, que afirmam que o acesso livre à informação é essencial para eleições justas e transparentes.
Organizações civis também relataram a suspensão de algumas ONG’s e restrições ao trabalho de observadores e jornalistas, levantando preocupações sobre a capacidade de monitorização independente do processo eleitoral.
O ambiente eleitoral tem sido caracterizado por uma forte presença militar e policial, principalmente na capital, Kampala, com tropas a patrulhar as ruas e a controlar acessos em zonas urbanas, numa tentativa anunciada para evitar desordens, mas que também intensificou a sensação de tensão entre eleitores.
Bobi Wine, frequentemente cercado por segurança pesada, chegou a promover comícios vestindo colete à prova de balas, refletindo o clima de insegurança vivido durante a campanha.
Observadores internacionais e grupos pró-democracia criticam a eleição como possivelmente “não livre nem justa”, citando o bloqueio de internet, restrições a organizações de direitos humanos, detenções e uso de força contra apoiantes da oposição.
Também foram relatadas atrasos na abertura de algumas urnas, devido a atrasos no material de votação e falhas técnicas nos sistemas biométricos usados para autenticar eleitores.
Segundo as regras vigentes, o Presidente no Uganda é eleito por maioria absoluta. Caso nenhum candidato obtenha mais de 50 % dos votos no primeiro turno, um segundo turno entre os dois mais votados seria realizado posteriormente.
Estas eleições são observadas internacionalmente como um teste à longevidade do governo de Museveni e à capacidade de mudança política num país com uma população maioritariamente jovem e com forte desejo de reforma.
Os resultados parciais são esperados dentro de 48 horas após o encerramento das urnas, mas quaisquer atrasos ou contestações poderão prolongar a definição de um vencedor.
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