Um relatório sobre género em Angola, baseado nos resultados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS) 2023-2024, revela desigualdades persistentes entre mulheres e homens em áreas como educação, emprego, saúde reprodutiva e participação nas decisões familiares.
Segundo o documento, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em colaboração com instituições nacionais e parceiros, 35,2% das mulheres são analfabetas, enquanto 48,7% possuem ensino secundário, contra 62,1% dos homens.
No mercado de trabalho, 48,7% das mulheres estão empregadas, face a 59,1% dos homens. O relatório destaca ainda o peso do trabalho doméstico e dos cuidados não remunerados, que limita a autonomia económica feminina.
Na saúde sexual e reprodutiva, apesar de 85,8% das mulheres conhecerem métodos contraceptivos, apenas 15,6% utilizam métodos modernos. O estudo aponta também que 26,7% das mulheres têm necessidades de planeamento familiar que não estão satisfeitas.
A assistência materna continua a ser outro desafio: cerca de metade dos partos é acompanhada por profissionais qualificados, com diferenças significativas entre as zonas urbanas e rurais.
O documento evidencia igualmente dificuldades na autonomia feminina. Enquanto 37,6% das mulheres participam em decisões relacionadas com a própria saúde, 54,8% não participam em decisões básicas do agregado familiar.
No domínio da violência, o relatório indica que 30,9% das mulheres abrangidas pelo indicador de violência por parceiro íntimo relataram experiências dessa natureza. O estudo identifica a pobreza, a baixa escolaridade, a residência rural e as normas sociais como factores associados à persistência das desigualdades.
Os resultados reforçam a necessidade de medidas que promovam o acesso à educação, aos serviços de saúde, às oportunidades económicas e à protecção contra a violência.
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