O impacto da rádio digital no mundo atual esteve em debate na Rádio Sucupira, num encontro que reuniu responsáveis de três projetos de comunicação digital em Angola.
O debate contou com a participação de Chakuisa dos Santos Muachinguenji, fundador e CEO da Rádio Zango 8000, Saraiva Miranda, CEO da Rádio SM, e Artur Fuenda, CEO e diretor da Rádio Sucupira. Durante a conversa, os intervenientes abordaram o crescimento das rádios digitais, os desafios do setor, a valorização da cultura e o papel dos jovens na produção de conteúdos.
Segundo os participantes, a rádio digital tem permitido ultrapassar algumas limitações associadas à radiodifusão tradicional, sobretudo pela facilidade de acesso através de telemóveis, computadores e outras plataformas conectadas à internet.
Chakuisa Muachinguenji destacou que o digital permite acompanhar a rádio em diferentes lugares, tornando a informação mais acessível e dinâmica. Para o responsável da Rádio Zango 8000, a rádio digital não surgiu para substituir a rádio tradicional, mas para introduzir novas possibilidades na comunicação.
“A rádio digital veio dar uma nova roupagem naquilo que é a comunicação”, explicou Chakuisa durante o debate.
Rádio digital como ferramenta de valorização cultural
A valorização da cultura angolana também esteve entre os principais assuntos discutidos.
Para Chakuisa Muachinguenji, uma das grandes vantagens das rádios digitais é a possibilidade de levar conteúdos produzidos em Angola para uma audiência internacional. Através das plataformas digitais, artistas, produtores e empreendedores conseguem apresentar os seus trabalhos a públicos que ultrapassam as fronteiras nacionais.
Saraiva Miranda defendeu igualmente que as rádios são importantes transmissoras de valores, costumes e cultura, destacando o espaço que os meios digitais podem oferecer a artistas e novos talentos.
Jovens assumem protagonismo
Outro ponto de destaque foi a crescente participação dos jovens na criação e gestão de projetos de comunicação digital.
Os participantes defenderam a necessidade de transformar os jovens de simples consumidores em produtores de conteúdos, através de formação, acompanhamento e criação de oportunidades.
Artur Fuenda considerou que algumas rádios digitais têm funcionado como verdadeiras escolas de comunicação, permitindo que jovens adquiram experiência e desenvolvam competências na produção radiofónica e jornalística.
Chakuisa Muachinguenji afirmou que a Rádio Zango 8000 tem procurado igualmente proporcionar oportunidades de formação e participação a jovens interessados em comunicação, jornalismo, tecnologia e produção de conteúdos.
Informação e responsabilidade
Apesar das facilidades proporcionadas pela internet, os intervenientes alertaram para a necessidade de responsabilidade na produção e divulgação de conteúdos.
A verificação das informações antes da publicação foi apontada como uma das principais exigências para quem trabalha no ambiente digital. Os participantes defenderam ainda a importância de conhecer as regras aplicáveis ao exercício da comunicação social e de procurar informação antes de lançar novos projetos.
Para Chakuisa Muachinguenji, estudar, procurar formação e conhecer o setor são passos fundamentais para quem pretende criar e manter uma rádio digital.
Custos e sustentabilidade continuam a ser desafios
Os responsáveis reconheceram que criar uma rádio digital pode parecer simples, mas manter um projeto sustentável exige investimento, conhecimento técnico, internet, equipamentos e uma equipa comprometida.
Artur Fuenda explicou que muitos investimentos realizados neste setor não apresentam retorno imediato, sendo necessária persistência para consolidar os projetos.
Saraiva Miranda acrescentou que existe, por vezes, a perceção de que trabalhar com rádio digital significa obter ganhos imediatos, quando, na realidade, os responsáveis enfrentam custos e desafios permanentes.
Os participantes defenderam, por isso, que a paixão pela comunicação deve ser acompanhada de profissionalismo, formação e capacidade de adaptação.
O futuro é digital
Durante o debate, Artur Fuenda considerou que o crescimento das rádios digitais em Angola demonstra que o setor está a conquistar progressivamente o seu espaço.
O responsável da Rádio Sucupira destacou ainda o surgimento de iniciativas e distinções que começam a reconhecer o trabalho desenvolvido pelas rádios digitais no país.
Para os participantes, a evolução tecnológica deverá continuar a aproximar a rádio tradicional do universo digital, permitindo que os dois modelos coexistam e se complementem.
No encerramento, Chakuisa Muachinguenji deixou uma mensagem dirigida aos jovens interessados em comunicação: estudar, procurar informação, acreditar nos próprios projetos e não desistir dos sonhos.
O debate terminou com a defesa de maior união entre os profissionais e projetos de rádio digital em Angola, incluindo a possibilidade de realização de fóruns dedicados ao desenvolvimento do setor.
Assista aqui no debate
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