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O Governo etíope anunciou, a 16 de Outubro de 2026, a criação de uma administração interina para a região de Tigray, no norte do país, após as forças federais recuperarem o controlo de territórios anteriormente dominados pela Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF). A administração terá um mandato de seis meses, com o objectivo declarado de preparar condições para a realização de eleições livres e transparentes.
Governo federal assume gestão temporária da região
O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, anunciou a formação da administração interina depois de semanas de confrontos entre as forças federais e a TPLF. Segundo a informação divulgada pelo gabinete do chefe do Governo, a nova estrutura deverá contribuir para a estabilização política de Tigray.
A decisão surge após uma ofensiva lançada pela TPLF, a 23 de Setembro, contra as forças governamentais. De acordo com a Africanews, com informações da AFP, a ofensiva foi repelida e o movimento perdeu o controlo de posições estratégicas, incluindo Mekelle, capital regional.
O Governo federal anunciou igualmente a nomeação de cinco responsáveis para a administração, entre os quais o presidente da Câmara de Mekelle.
Conflito mantém tensões após acordo de paz
Tigray esteve no centro de uma guerra entre 2020 e 2022, envolvendo forças federais etíopes, apoiadas por tropas da Eritreia, e forças ligadas à TPLF. O conflito provocou uma grave crise humanitária, com estimativas citadas na reportagem a apontarem para cerca de 600 mil mortos.
O acordo de paz de 2022 pôs fim aos principais combates, mas não eliminou as divergências sobre os termos do entendimento e a organização política da região.
A Tigray permaneceu, desde então, numa situação de tensão com o poder central. A região não participou nas eleições federais de Junho, vencidas pelo Partido da Prosperidade, liderado por Abiy Ahmed.
Governo defende eleições e estabilidade política
Segundo o comunicado oficial citado pela Africanews, a administração interina deverá criar condições para uma situação política estável, permitindo a realização de eleições livres e transparentes.
O executivo apelou ainda à população de Tigray para romper com o ciclo de conflitos, associando a estabilidade à defesa do direito à autogovernação e ao acesso aos benefícios do desenvolvimento.
Por sua vez, a liderança federal atribuiu à TPLF a responsabilidade pela retoma dos confrontos, afirmando que o movimento não teria demonstrado vontade de alcançar a paz. Esta posição corresponde à versão apresentada pelo Governo etíope e não deve ser confundida com uma avaliação independente das responsabilidades pelo conflito.
Próximos meses serão decisivos para Tigray
A administração interina terá seis meses para gerir a região num contexto marcado por tensões políticas e pelas consequências de anos de guerra. A forma como será conduzida a governação temporária, bem como os passos para a realização de eleições, serão elementos importantes para avaliar a evolução da situação.
O anúncio representa uma nova fase na relação entre o Governo federal etíope e Tigray, mas a estabilização duradoura dependerá da implementação das medidas anunciadas e da evolução do processo político.
Fonte: Africanews
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