António Cruz transforma a dor pela morte do irmão Jorge Valério num livro que apela ao fim da violência - Rádio 8000

📢 ANUNCIE NA RÁDIO ZANGO 8000

A sua empresa merece mais visibilidade!

Divulgamos a sua marca através do nosso portal de notícias, rádio online, Facebook, YouTube, TikTok e outras plataformas digitais.

📞 Comercial: +244 925 459 845

📱 WhatsApp: +244 912 483 689

📧 E-mail: radiozango8000@gmail.com

💬 Falar no WhatsApp

NOTÍCIAS

Home Top Ad

 


Post Top Ad
























segunda-feira, 19 de outubro de 2026

António Cruz transforma a dor pela morte do irmão Jorge Valério num livro que apela ao fim da violência

Reproduzida apartir da internet 




Escritor angolano revisita a tragédia que marcou a sua família e o país na obra “Tudo o Que Vi, Vivi e Ouvi Sobre o Meu Irmão Jorge Valério”, onde partilha memórias pessoais e defende que a violência nunca é a solução.


O escritor e criador de conteúdos angolano António Cruz, conhecido nas redes sociais como “Call Me O Preto”, prepara-se para lançar uma obra literária marcada pela memória, pela dor e pela consciencialização social. Intitulado Tudo o Que Vi, Vivi e Ouvi Sobre o Meu Irmão Jorge Valério, o livro apresenta o testemunho pessoal do autor sobre a morte do irmão, um caso que ganhou grande repercussão pública em Angola, em 2012.


Em entrevista ao programa Que Há Domingo, António Cruz explicou que decidiu contar a sua versão da história para esclarecer dúvidas que persistem ao longo dos anos e partilhar uma experiência vivida de perto pela sua família. Segundo o escritor, a obra representa também uma oportunidade de transformar o sofrimento numa mensagem de reflexão e prevenção da violência.


Na altura da morte de Jorge Valério, António tinha cerca de 12 anos. Apesar da pouca idade, acompanhou momentos difíceis do processo, incluindo a presença das autoridades na residência familiar e as circunstâncias que marcaram o funeral do irmão.


O autor considera que a experiência de escrever o livro o levou a revisitar memórias dolorosas, sobretudo as relacionadas com a despedida do irmão. Entre as recordações mais difíceis está a imagem da mãe diante do caixão, num momento que, segundo relatou, permanece vivo na sua memória.


Da dor à escrita

António Cruz revelou que a ideia de escrever sobre o caso começou a ganhar forma entre 2020 e 2021. No entanto, durante algum tempo, hesitou em avançar com o projecto, receando que algumas pessoas interpretassem a publicação como uma tentativa de obter benefícios financeiros a partir da morte do irmão.


Apesar dessas preocupações, decidiu prosseguir, entendendo que a sua experiência poderia contribuir para uma compreensão mais humana dos acontecimentos e deixar um ensinamento às novas gerações.


Durante a entrevista, explicou que a escrita também funcionou como uma forma de lidar com os sentimentos acumulados ao longo dos anos. Para o autor, colocar as ideias no papel permite organizar pensamentos, compreender emoções e descobrir aspectos de si próprio que, muitas vezes, permanecem escondidos na rotina diária.


O escritor destacou ainda a importância do apoio familiar, referindo que a mãe acreditou no projecto e contribuiu para a sua concretização.


Quem era Jorge Valério para a família

Para além do caso que marcou a opinião pública, António procurou apresentar uma dimensão mais pessoal do irmão, descrevendo-o como um jovem alegre, sonhador, apaixonado pela música e que gostava de viver.


Entre as memórias que guarda de Jorge está o hábito de caminhar durante longos percursos, muitas vezes com auscultadores, uma imagem simples que continua a acompanhá-lo no quotidiano.


António recordou também a relação próxima entre os dois, sublinhando o carinho que Jorge demonstrava pelas crianças e pelos familiares mais novos.


Segundo o escritor, revisitar estas recordações permitiu-lhe olhar para o irmão para além das circunstâncias da sua morte, recuperando traços da personalidade e dos sonhos que faziam parte da sua vida.


Livro aborda violência e partilha de imagens íntimas

Um dos aspectos destacados por António Cruz é a componente de consciencialização social da obra, particularmente em torno da partilha não consentida de imagens íntimas e dos riscos associados à exposição da intimidade das pessoas.


O autor esclareceu, durante a conversa, que não dispõe de confirmação sobre todos os elementos relacionados com a alegada chantagem que terá envolvido o caso. Ainda assim, decidiu abordar o tema no livro como parte de uma reflexão mais ampla sobre comportamentos que podem causar danos graves.


A obra procura, assim, estimular o debate sobre responsabilidade, respeito pela privacidade e consequências da violência, sem perder de vista a dimensão humana das pessoas envolvidas.


“A violência não resolve nada”

A mensagem central que António Cruz pretende deixar aos leitores é clara: “A violência não resolve nada.”


O escritor afirmou que chegou a experimentar sentimentos de revolta e pensamentos de vingança após a morte do irmão, mas compreendeu que alimentar o ódio poderia comprometer a sua própria vida e impedir o seu crescimento pessoal.


Na sua perspectiva, o sofrimento pode ser transformado em algo construtivo, desde que seja canalizado para caminhos diferentes da violência. Por isso, defende que a educação para a não violência deve começar no seio das famílias, envolvendo filhos, irmãos, primos e sobrinhos.


Para António, recordar Jorge Valério significa também reflectir sobre as circunstâncias que conduzem a tragédias que poderiam ser evitadas através de outras atitudes e formas de resolver conflitos.


Uma nova etapa no percurso literário

Antes desta obra, António Cruz publicou o livro E Se as Mulheres Soubessem o Poder que Têm?, no qual aborda o valor e a importância das mulheres na sociedade.


O novo título representa uma etapa diferente do seu percurso como escritor, por partir de uma experiência familiar profundamente marcante e de um acontecimento que continua presente na memória de muitos angolanos.


Durante a entrevista, António afirmou que espera que o livro ajude a esclarecer dúvidas, mas, sobretudo, que contribua para que os leitores compreendam a importância de escolher o diálogo em vez da violência.


A obra encontra-se em fase de pré-venda, segundo informação partilhada pelo autor durante o programa. Os interessados podem contactar António Cruz através das redes sociais, onde utiliza o nome “Call Me O Preto”.


Mais do que revisitar uma tragédia, Tudo o Que Vi, Vivi e Ouvi Sobre o Meu Irmão Jorge Valério procura transformar uma história de perda numa oportunidade de reflexão colectiva sobre a vida, a memória, a responsabilidade e a necessidade de construir uma sociedade menos violenta.


Assista a entrevista 



Sem comentários:

ADS

Pages