LONDRES — O sociólogo britânico Jason Arday, de 41 anos, conhecido por ter sido o professor catedrático negro mais jovem da história da Universidade de Cambridge, foi encontrado morto na sua residência em Battersea, no sul de Londres. Conforme avançado inicialmente pela estação pública britânica BBC News, a morte do académico ocorreu no passado dia 14 de agosto, surgindo apenas uma semana após a sua demissão voluntária do cargo motivada por um forte escrutínio público e investigações internas devido a alegações de plágio e fraude no seu currículo.
Um porta-voz da Polícia Metropolitana de Londres confirmou à imprensa, incluindo aos canais de informação da RTP Notícias, que as equipas de emergência foram chamadas ao local após Arday ter sido encontrado inconsciente. Embora as autoridades estejam a tratar o caso como uma morte "inesperada", os investigadores adiantaram que, até ao momento, não existem indícios suspeitos de crime ou de intervenção de terceiros.
A polémica que abalou a reputação do prestigiado académico ganhou força quando o jornal britânico The Times expôs uma análise à sua tese de doutoramento de 2015, revelando múltiplos trechos "idênticos ou quase idênticos" aos de um artigo publicado por outro investigador. De acordo com os detalhes reportados pela CNN Portugal, as acusações iniciais partiram de Nathan Cofnas, um antigo investigador de Filosofia da mesma universidade. Paralelamente, foram levantadas suspeitas públicas sobre os seus feitos físicos e a veracidade de uma angariação de fundos beneficente de 5,5 milhões de libras, o que levou a Universidade de Cambridge a abrir um inquérito formal à sua contratação e motivou a demissão do docente a 5 de agosto.
Em sua defesa, Jason Arday negava veementemente o plágio deliberado, embora tivesse admitido a existência de falhas de edição no seu trabalho de doutoramento. Na sua nota de renúncia, citada pela agência internacional Al Jazeera, o sociólogo sublinhou que o "custo pessoal" do escrutínio se tornara "demasiado elevado", mas frisou que a sua saída não devia ser confundida com a aceitação das narrativas criadas em torno do seu percurso.
O desfecho trágico gerou uma onda de consternação e reações inflamadas. Numa declaração enviada ao jornal Expresso, a família de Arday denunciou que o académico foi alvo de uma "campanha de desinformação e abuso sustentado" desde que aceitou o cargo. Mais de duas dezenas de académicos e aliados políticos também saíram em sua defesa, classificando o caso como uma perseguição desproporcional motivada por racismo institucional para enfraquecer minorias em posições de grande influência.
Conforme recorda o portal G1 Globo, antes da polémica rebentar, a trajetória de Arday era vista como um símbolo global de superação. Diagnosticado com autismo na infância, o sociólogo não falou até aos 11 anos e só aprendeu a ler e a escrever aos 18, tendo superado as barreiras do desenvolvimento até alcançar o topo da academia britânica em 2023.
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