Por: Redação Rádio Zango 8000
8 de agosto de 2026
Passaram-se dois anos desde a morte do rapper e produtor moçambicano Zuka Zula, mas a sua voz continua presente através da música, das ideias e das entrevistas que deixou.
Radicado na Alemanha durante mais de uma década, Zuka Zula construiu uma carreira marcada pela valorização da cultura africana, da história, da identidade e da consciência social.
“ASSISTA À ENTREVISTA DE ZUKA ZULA À RÁDIO ZANGO 8000, GRAVADA EM 25 DE MAIO DE 2024”
Uma das memórias que a Rádio Zango 8000 guarda com particular importância é a entrevista concedida pelo artista no dia 25 de maio de 2024, Dia de África, durante o programa Espaço Entrevista, apresentado por Chakuisa dos Santos.
Na conversa, Zuka Zula falava sobre o seu álbum “Moia”, lançado precisamente naquela data, e explicava a importância de utilizar a música como instrumento de reflexão sobre África.
Para o rapper, conhecer a identidade africana era fundamental para que o continente pudesse ocupar o seu espaço no mundo.
“Nós só podemos sentar à mesa grande, à mesa redonda com o mundo, sendo africanos. Não podemos sentar à mesa redonda sendo cópias.”
Durante a entrevista, Zuka Zula defendeu ainda a valorização da história e da cultura africana, incentivando os jovens a conhecerem as suas origens, a tradição oral e a própria árvore genealógica.
O artista também apontou a necessidade de África contar com líderes visionários e corajosos, capazes de defender os interesses do continente e compreender as necessidades e os sonhos das suas populações.
O álbum “Moia”, segundo o próprio artista, nasceu de um processo de investigação sobre a história e a realidade africana. A obra abordava temas como identidade, corrupção e os desafios enfrentados pelos jovens africanos.
Zuka Zula revelou ainda que o projeto contou com produtores de diferentes países e participações de nomes ligados à música moçambicana, entre eles Seth Cruz e o músico Salim Mohamed, que o rapper descreveu como um grande ícone que admirava desde a infância.
Uma entrevista que ganhou outro significado
Naquele momento, ninguém poderia imaginar que poucos meses depois aquelas palavras seriam transformadas em memória.
Zuka Zula morreu na Alemanha, a 8 de agosto de 2024. A notícia provocou uma onda de consternação na comunidade Hip Hop moçambicana e entre artistas que mantinham ligação com o rapper.
Hoje, dois anos depois, recuperar aquela entrevista é também uma forma de voltar a ouvir o próprio artista e compreender aquilo que pretendia deixar para as próximas gerações.
“Nossa identidade, nossa cultura, nossa africanidade, acima de tudo.”
Foram algumas das suas palavras finais naquela conversa.
E talvez seja justamente aí que esteja uma parte essencial do seu legado.
Zuka Zula partiu, mas a sua obra permanece. As suas músicas continuam disponíveis, as suas ideias continuam a ser debatidas e a sua voz continua a chegar a novos ouvintes através dos arquivos que preservam a sua passagem pela cultura Hip Hop.
A Rádio Zango 8000 recupera hoje esta entrevista como documento de memória e homenagem ao artista.
Há dois anos, perdemos o homem.
Mas não perdemos a obra.
A Rádio Zango 8000 e o seu coletivo de colaboradores, representados pela direção de Chakuisa dos Santos Muachinguenji e Mirosmar dos Santos, endereçam novamente os seus sentimentos de pesar à família, aos amigos e a toda a comunidade Hip Hop moçambicana.
Zuka Zula, descanse em paz.
Que a sua voz continue a ecoar.
Que o seu legado continue vivo.
Que a sua obra nunca seja esquecida.
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