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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Santa Paciência: moradores denunciam condições precárias e apelam por intervenção urgente das autoridades

 


Icolo e Bengo – A escassez de água potável, a ausência de energia elétrica, a insuficiência de escolas, as dificuldades no acesso aos serviços de saúde e os impactos provocados pelas demolições de habitações continuam a marcar o quotidiano dos moradores do bairro Santa Paciência, localizado nas imediações da Centralidade do Zango 5, no município de Icolo e Bengo.


Durante uma reportagem realizada pela Rádio Zango 8000, os habitantes da comunidade relataram viver há vários anos em condições consideradas difíceis e apelaram às autoridades para a resolução dos principais problemas que afetam o bairro.


Segundo um dos moradores mais antigos, Santa Paciência existe desde 1979 e era anteriormente conhecida por Ngimbi Kitekulu. O atual nome, explicou, nasceu das inúmeras dificuldades enfrentadas pelos primeiros habitantes.


"Esse nome é histórico. Antes chamava-se Ngimbi Kitekulu, mas devido ao sofrimento que vivíamos, decidimos mudar para Santa Paciência. Quem vive aqui tem de ter muita paciência", contou.

 

O ancião recordou que, durante muitos anos, os moradores percorriam longas distâncias a pé para terem acesso aos serviços básicos e afirmou que, apesar de alguns avanços registados ao longo dos anos, a comunidade continua sem infraestruturas essenciais.


Entre as principais preocupações está a falta de água canalizada e de energia elétrica. O morador afirmou existir esperança de melhorias, depois de uma visita recente de responsáveis municipais ao bairro.

"A nossa maior necessidade é tudo. Precisamos de urbanização, de água, de energia e de apoio do Estado. Aqui ainda há muitas dificuldades", afirmou.

 

A situação da educação também preocupa os residentes. Segundo os entrevistados, existe apenas uma escola comunitária com quatro salas de aula, construída pelos próprios moradores, o que obriga muitas crianças a procurarem vagas em escolas da Centralidade do Zango 5.


Outra preocupação recorrente prende-se com as demolições de habitações registadas na comunidade. Diversas famílias afirmam que perderam as suas casas e continuam à espera de uma solução definitiva.


Moradora desde 2002, Josefa relatou que vive atualmente sem acesso aos serviços básicos.

"Não temos luz, não temos água e vivemos em casas sem condições. Somos cidadãos deste país e também precisamos da atenção do Governo", desabafou.

 

Segundo a residente, as condições de habitabilidade favoreceram o aparecimento de doenças e aumentaram os riscos para as famílias.


"Estamos apertados, as crianças adoecem constantemente e convivemos diariamente com mosquitos e outros perigos",acrescentou.

 

A presença de cobras na comunidade foi outro dos problemas apontados pelos moradores. De acordo com os relatos, os animais surgem frequentemente nas zonas habitacionais devido ao crescimento do capim e à falta de limpeza dos terrenos.


Marlene Francisco reforçou que a ausência de água, energia elétrica e habitação condigna continua a ser uma das maiores preocupações da população.


"O sofrimento é muito grande. Precisamos de luz, água e de uma solução para as casas que foram demolidas", disse.

 

Também Rosa Chilepa, viúva e mãe de seis filhos, afirmou que vive em situação de grande vulnerabilidade desde a destruição da sua residência.


"Só queremos que nos digam a verdade. Se não vão construir casas para nós, que nos devolvam aquilo que perdemos. Estamos cansados de esperar", declarou.

 

As chuvas representam igualmente um desafio para os habitantes de Santa Paciência. Mariana contou que perdeu a irmã após um período de fortes precipitações e lamentou as dificuldades enfrentadas pelas famílias.


"Quando chove, muitas casas ficam inundadas. As crianças adoecem com frequência e há famílias que perderam entes queridos",relatou.

 

Durante a reportagem, vários moradores defenderam que aguardam respostas das autoridades competentes quanto ao futuro das famílias afetadas pelas demolições, bem como a implementação de projetos de urbanização, saneamento básico e melhoria das infraestruturas sociais.


A Rádio Zango 8000 procurou retratar a realidade vivida na comunidade através dos testemunhos dos seus residentes e continuará a acompanhar o desenvolvimento da situação, ouvindo igualmente as entidades competentes para que possam apresentar a sua posição sobre as preocupações manifestadas pela população.

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