Diretamente do município do Calumbo, no Zango, o artista Stona Mensageiro esteve em entrevista na Rádio 8000 e apresentou ao público a sua trajetória, visão artística e missão: usar a música como instrumento de transformação social
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A Rádio 8000 recebeu mais um talento emergente da cena cultural angolana. Trata-se de Stona Mensageiro, nome artístico de António Miguel Francisco, um jovem kudurista oriundo do município do Calumbo, que vem conquistando espaço com uma proposta diferenciada dentro do género.
Durante a entrevista, o artista explicou a origem do seu nome artístico. “Mensageiro” surge da sua ligação ao grupo juvenil religioso Mensageiros da Paz, refletindo a sua intenção de transmitir conteúdos positivos através da música. Apesar de fazer parte de uma comunidade religiosa, Stona opta por não cantar gospel, decisão que, segundo ele, já é compreendida no seu meio, embora não esteja isenta de críticas.
“Vivemos neste mundo, e cada um deve saber dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, afirmou, demonstrando equilíbrio entre fé e carreira artística.
A sua caminhada na música começou em 2013, influenciado pelo irmão mais velho. A primeira música, intitulada Diga Não às Drogas, já evidenciava o seu compromisso com mensagens sociais. Desde então, Stona tem mantido uma linha artística focada na consciencialização, evitando conteúdos obscenos e apostando em letras que promovem reflexão.
Entre as suas principais referências estão nomes consagrados do Kuduro como Bruno M, Delero King, Russo K, DJ Naile e Pai Banana. Para o artista, a ausência de vozes como a de Bruno M no mercado deixa uma lacuna significativa, sobretudo pela capacidade de transmitir mensagens impactantes.
Com um estilo que define como “Kuduro de intervenção social”, Stona destaca-se também pela sua postura calma, contrariando o estereótipo de agressividade frequentemente associado ao género. Em palco, mantém a mesma serenidade, privilegiando a mensagem em detrimento da performance física intensa.
Atualmente, o artista já conta com músicas disponíveis nas plataformas digitais, como Andamento e Louco, e prepara o lançamento de Negócios Escuros. Sobre esta última, explica que pretende ampliar o conceito de “negócios obscuros”, mostrando que nem sempre está ligado à criminalidade, mas também a atividades informais do dia a dia.
Sem equipa estruturada, Stona gere a sua própria carreira, desde a produção à divulgação, em parceria com o produtor Black On The Beat. Ainda assim, mostra-se aberto a colaborações, desde que baseadas em profissionalismo e contratos claros.
Além de partilhar a sua trajetória, o artista deixou uma crítica à indústria cultural, apontando a falta de controlo sobre conteúdos impróprios difundidos em rádios e eventos, especialmente com impacto negativo nas crianças.
Para os novos talentos, a mensagem é clara: investir na própria carreira é essencial. “Quem não investe no seu talento, não aparece”, reforçou, destacando a importância das plataformas digitais e da autopromoção.
A entrevista reforça o compromisso da Rádio 8000 em dar voz aos talentos locais e promover conteúdos que valorizem a cultura angolana, especialmente aqueles que utilizam a arte como ferramenta de mudança social.

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