A liberdade de imprensa atingiu em 2026 o pior nível dos últimos 25 anos, segundo o mais recente relatório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que alerta para um cenário global marcado pela criminalização do jornalismo, censura, guerras e repressão estatal contra profissionais da comunicação.
Pela primeira vez desde a criação do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, mais da metade dos países avaliados encontram-se em situação “difícil” ou “muito grave”, enquanto a pontuação média global caiu para o nível mais baixo já registado. O relatório denuncia que governos autoritários, leis de segurança nacional e ataques políticos à imprensa estão a sufocar o direito à informação em várias partes do mundo.
De acordo com a diretora editorial da RSF, Anne Bocandé, a expansão do autoritarismo e a falta de mecanismos eficazes de proteção aos jornalistas representam uma ameaça direta à democracia e à liberdade de expressão.
O documento destaca que o indicador jurídico foi o que mais se deteriorou em 2026, refletindo o aumento da criminalização do jornalismo em mais de 110 países. Leis antiterrorismo, acusações de “desinformação” e medidas ligadas à segurança nacional têm sido usadas para perseguir jornalistas, limitar investigações e impedir a divulgação de informações de interesse público.
Entre os países mais criticados estão Rússia, China, Irã, Coreia do Norte e Eritreia, esta última ocupando novamente a última posição do ranking mundial.
O relatório também aponta forte deterioração no continente americano. Os Estados Unidos caíram sete posições, devido aos constantes ataques políticos à imprensa, repressão policial e redução de meios de comunicação públicos internacionais. Países como Equador, Peru, Argentina e El Salvador também registaram quedas acentuadas, impulsionadas pela violência, crime organizado e pressão governamental sobre jornalistas.
Na Faixa de Gaza, a guerra entre Israel e grupos palestinianos agravou ainda mais o cenário. Segundo a RSF, mais de 220 jornalistas foram mortos desde outubro de 2023, sendo pelo menos 70 durante o exercício da profissão.
Apesar do cenário sombrio, a Noruega manteve-se pelo décimo ano consecutivo como o país com maior liberdade de imprensa do mundo. Já a Síria registou a maior recuperação do ranking após a queda do regime de Bashar al-Assad.
A RSF conclui que a defesa da liberdade de imprensa tornou-se um desafio urgente para democracias e cidadãos, alertando que o silêncio diante da repressão representa cumplicidade com o avanço do autoritarismo.
Fonte: Repórteres Sem Fronteiras (RSF)

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