O artista angolano Rimas Kimbango, conhecido no meio musical como “Faculdade de Rimas”, escapou da morte após ser violentamente agredido por populares no bairro Rocha Pinto, em Luanda, depois de ter sido acusado de tentativa de roubo de órgãos genitais de uma criança.
O caso, que ocorreu por volta das 12 horas, gerou forte tensão social e voltou a levantar preocupações sobre os episódios de justiça por mãos próprias motivados por rumores e desinformação.
Em declarações à Rádio Zango 8000, o artista afirmou que tudo começou após um choque acidental com um menor na via pública. Segundo o músico, depois do contacto, a criança começou a gritar acusando-o de tentativa de roubo de órgãos, levando a população a partir imediatamente para agressões físicas.
“Fui acusado de um acto que eu não cometi. A população agrediu-me brutalmente. Só saí vivo porque Deus trabalhou e a Polícia Nacional interveio”, declarou o artista num áudio enviado à redação da Rádio Zango 8000.
De acordo com Maria Madalena, agente do músico, os danos físicos foram graves e o artista encontra-se profundamente abalado emocionalmente.
“Ele não consegue mover os braços em condições, o rosto está muito ferido e psicologicamente está destruído”, afirmou durante entrevista telefónica à Rádio Zango 8000.
Segundo a responsável, a intervenção das forças policiais foi determinante para impedir um desfecho fatal, tendo sido necessário o reforço de equipas devido ao elevado número de pessoas envolvidas nas agressões.
A agente esclareceu ainda que não existem provas que sustentem as acusações feitas contra o artista e acusou a população de agir por impulso sem verificar os factos.
“O menino começou a gritar e a população não quis saber. Partiram logo para a violência”, explicou.
Além das agressões, o músico perdeu bens pessoais, documentos, dinheiro, telefone e projetos musicais que estavam armazenados no aparelho, situação que agrava ainda mais o momento delicado que enfrenta.
A família e a equipa do artista aguardam agora pelos resultados das investigações conduzidas pelas autoridades, enquanto apelam ao apoio psicológico e financeiro para auxiliar na recuperação do músico.
Durante a entrevista, Maria Madalena deixou também um apelo à sociedade angolana para que deixe de praticar justiça pelas próprias mãos.
“Hoje é ele, amanhã pode ser o teu irmão ou o teu filho. Quando não temos provas, devemos deixar a justiça agir”, alertou.
Nos últimos meses, Angola tem registado vários casos de pânico social ligados ao suposto desaparecimento de órgãos genitais, situação que as autoridades já classificaram como informações falsas e sem comprovação científica.
A Rádio Zango 8000 continua a acompanhar o caso.

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