No contexto das celebrações do Dia Internacional do Trabalhador (1º de Maio), a Rádio Zango 8000 entrevistou o artista angolano Mamplix (Elísio Magalhães), uma figura com percurso consolidado desde a década de 1980 e uma atuação relevante no movimento sindical em Angola.
A conversa trouxe uma visão abrangente sobre música, intervenção social e os desafios enfrentados pelos trabalhadores no país.
Natural do bairro Neves Bendinha, em Luanda, Mamplix iniciou a sua carreira em grupos carnavalescos infantis, onde deu os primeiros passos no mundo artístico.
Com o tempo, integrou projetos ligados à Rádio Nacional de Angola e partilhou palco com vários nomes da música nacional, construindo uma carreira marcada pela consistência e adaptação às mudanças do setor.
O artista destaca que o cenário musical da época era marcado por desigualdades no acesso a oportunidades:
“Havia artistas com mais apoio e outros com menos. Sem padrinhos, o caminho tornava-se mais difícil.”
Apesar disso, manteve-se ativo, superando limitações técnicas e estruturais da época.
Mamplix é conhecido por abordar temas sociais nas suas músicas, refletindo o quotidiano da população.
Canções como “Covid” e “Ceia Fofoqueira” evidenciam essa linha artística.
“O artista vive e canta o dia-a-dia. A música é uma forma de retratar a realidade.”
Para além da música, Mamplix tem um percurso sólido no sindicalismo, especialmente no setor da saúde.
Já ocupou funções de liderança no Sindicato Nacional dos Enfermeiros de Angola e atualmente atua na área social a nível municipal.
A sua entrada no movimento sindical foi motivada pela necessidade de defender trabalhadores em situações de vulnerabilidade.
Na sua análise, os trabalhadores enfrentam hoje desafios significativos:
Baixo poder de compra,aumento constante do custo de vida
Fragilidades na proteção social,dificuldades no acesso à habitação.
“O salário mínimo ainda não responde às necessidades reais do trabalhador.”
Mamplix defende um sindicalismo mais consciente e preparado:
“O sindicalista deve ser um líder informado, não um chefe. Deve conhecer as leis e agir com responsabilidade.”
Destaca também a importância da formação contínua e do envolvimento da juventude no movimento sindical.
O Dia do Trabalhador é, segundo o artista, um momento estratégico para manifestação e diálogo:
“É o dia em que os trabalhadores apresentam as suas preocupações e exigem melhorias.”
O sindicalista apela a maior abertura institucional para fortalecer esse processo.
Uma das principais preocupações levantadas é a situação de trabalhadores, especialmente em empresas estrangeiras, que atuam sem contratos formais.
“Muitos não conhecem os seus direitos e acabam por aceitar condições injustas.”
Mamplix incentiva denúncias junto de instituições competentes e maior conscientização jurídica.
Para os jovens que entram no mercado de trabalho, deixa um conselho direto:
“Evitem o imediatismo, valorizem a vossa profissão e não aceitem ser humilhados.”
Mamplix representa uma rara combinação entre arte e ativismo social.
A sua trajetória demonstra que a música pode ser mais do que entretenimento pode ser também uma ferramenta de consciência e transformação social.

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