Durante a 31ª edição do programa “Equilíbrio”, o jurista Carlos Cabaça denunciou publicamente estar a receber telefonemas com teor intimidatório devido às suas análises políticas e comentários sobre a governação em Angola.
Segundo o jurista, as críticas feitas por analistas e comentadores não devem ser interpretadas como ataques ao governo, mas sim como contribuições para o fortalecimento da democracia e da governação no país.
Cabaça afirmou que, muitas vezes, o governo interpreta de forma errada as análises feitas por especialistas. Para ele, o papel dos comentadores é dizer a verdade com responsabilidade, e não elogiar erros de governação.
“Nós não somos contra o governo, nem contra quem governa. Apenas emitimos as nossas opiniões com algum respaldo de verdade”, afirmou.
Durante a conversa, o jurista revelou que tem recebido telefonemas com advertências e mensagens de cuidado, numa tentativa de o intimidar.
Apesar disso, garantiu que não se sente intimidado e que continuará a exercer o seu direito de opinião.
“Ninguém me vai coartar o direito de me expressar livremente. Eu não tenho preço, eu tenho valor”, declarou.
Cabaça acrescentou que não pretende tomar medidas formais por agora, afirmando que a sua maior proteção vem da fé e da convicção nas suas posições.
No mesmo programa, o comentador Aragão manifestou solidariedade ao jurista, sublinhando que Carlos Cabaça é um cidadão que contribui para o debate público no país e que tem demonstrado coragem ao participar em espaços de análise política.
Segundo ele, muitos cidadãos não têm a mesma coragem para participar em debates públicos, razão pela qual é importante respeitar e proteger a liberdade de expressão.
A discussão também abordou a polémica em torno da empresa Indra Sistemas, responsável por serviços tecnológicos ligados aos processos eleitorais em Angola.
Alguns partidos da oposição e setores da sociedade civil têm questionado o papel da empresa nos processos eleitorais realizados em 2008, 2012, 2017 e 2022, levantando preocupações sobre a transparência e a lisura eleitoral, sobretudo tendo em vista as eleições previstas para 2027.
Aragão considerou que as reclamações são legítimas no contexto democrático, mas defendeu que a escolha da empresa seguiu os procedimentos de concurso público conduzidos pela Comissão Nacional Eleitoral de Angola, divulgados através de órgãos de comunicação social como a Rádio Nacional de Angola, a Televisão Pública de Angola e o Jornal de Angola.
O comentador reconheceu, no entanto, que a questão da soberania dos dados eleitorais é uma preocupação legítima, mas acredita que o Estado angolano não permitirá qualquer comprometimento da sua soberania.
O programa terminou com um apelo à valorização do debate aberto e plural no país, com os intervenientes a defenderem que críticas construtivas são fundamentais para o desenvolvimento das instituições e para o fortalecimento da democracia em Angola.

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