Nas ruas de Luanda e do Namibe, angolanos refletem sobre o dia 14 de fevereiro, revelando opiniões divididas entre sentimento, tradição e interesses materiais.
No dia 14 de fevereiro, data mundialmente associada ao amor e aos namorados, a Rádio Zango 8.000 – A Sintonia da Centralidade foi às ruas de Luanda e da província do Namibe para ouvir diferentes vozes sobre o significado de São Valentim. A reportagem especial procurou entender como os angolanos vivem a data atualmente, se o amor mudou com o tempo e até que ponto o comércio influencia as relações.
Luanda: entre valores, sentimentos e críticas ao materialismo
No Quilamba, em Luanda, os entrevistados destacaram que o amor continua a ser um valor importante, mas reconheceram mudanças na forma como os relacionamentos são vividos. Alguns afirmaram que a educação familiar e os valores transmitidos em casa ainda influenciam a forma de amar, embora a sociedade e o ambiente externo tenham forte impacto nas escolhas atuais.
Para alguns cidadãos, o dia 14 de fevereiro não deve se limitar a apenas uma data. “A vida tem que ser sempre um 14”, disse um entrevistado, defendendo que o amor deve ser vivido diariamente e não apenas em momentos comemorativos.
Outras opiniões revelaram preocupação com a crescente associação entre relacionamentos e dinheiro. Segundo alguns participantes, antigamente os casais valorizavam mais o companheirismo e o propósito comum, enquanto hoje o fator material tem ganhado mais espaço nas relações.
Data comercial ou celebração do amor?
Uma das questões mais debatidas foi se o dia dos namorados se tornou uma data comercial. Muitos entrevistados consideram que sim, apontando o aumento das vendas de presentes, chocolates e lembranças como sinal de um mercado aquecido nesta época do ano.
Ainda assim, houve quem defendesse o lado afetivo da data, afirmando que o essencial continua sendo a demonstração de carinho e o reconhecimento do parceiro. Para esses entrevistados, o problema não está nos presentes, mas na substituição do sentimento pela aparência ou pelo interesse.
Namibe: reflexões sobre o amor moderno
A partir da província do Namibe, as repórteres trouxeram relatos marcados por emoção e reflexão. Entre os entrevistados, houve quem destacasse que o melhor presente não é material, mas sim tempo de qualidade, respeito mútuo e atenção — valores considerados mais duradouros que qualquer lembrança física.
Outros participantes refletiram sobre os relacionamentos atuais, marcados pela rapidez das redes sociais e pela facilidade de conhecer novas pessoas pela internet. Segundo as análises recolhidas, o amor não desapareceu, mas a forma de amar mudou: hoje existem mais escolhas, mais liberdade individual, porém também relações mais rápidas e, em alguns casos, mais superficiais.
O amor ao longo do tempo
As entrevistas também trouxeram comparações entre os relacionamentos do passado e os de hoje. Enquanto antigamente havia mais compromisso e relações mais duradouras — muitas vezes sustentadas pela pressão social — atualmente os casais priorizam liberdade, compatibilidade emocional e crescimento pessoal.
Especialistas populares entrevistados destacaram que, embora existam relações baseadas em interesses, o amor verdadeiro continua presente e não pode ser definido apenas por bens materiais.
Conclusão: um sentimento que permanece
As vozes ouvidas em Luanda e no Namibe mostram que São Valentim continua a gerar debates. Para uns, a data perdeu parte do significado diante do consumismo; para outros, permanece uma oportunidade de reforçar laços e demonstrar carinho.
Entre críticas e elogios, uma ideia foi comum: amar, respeitar e cuidar do outro continua a ser essencial, independentemente do tempo ou da forma como as relações evoluem.
Assinatura da Reportagem
Chakuisa Muachinguenji, em Luanda
Advirgem Maia e Pâmela Esteves, a partir do Namibe
Rádio Zango 8.000 – A Sintonia da Centralidade
Clica para ouvir a reportagem :
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