Depois de mais de 20 dias de dificuldades, baldes na mão e longas caminhadas à procura de água, os moradores da Centralidade do Zango 8.000 começam finalmente a ver o problema aliviar. Neste domingo, a água voltou a correr nas torneiras de algumas zonas, trazendo esperança e algum alívio à população.
A reposição do abastecimento acontece após a retoma do funcionamento da Estação de Tratamento de Água de Calumbo, que esteve inoperante devido a uma avaria. Segundo as autoridades, o processo está a ser feito de forma gradual.
Pelas ruas da centralidade, o sentimento é visível: alegria misturada com desconfiança. Muitos moradores dizem estar felizes, mas ainda receiam que a água volte a faltar.
Ventura Pinto Ferrani foi um dos moradores surpreendidos pela notícia.
“Saí de casa de manhã com a ideia de ir buscar água ao tanque do Zango 3. Depois recebi uma chamada da vizinha a dizer que já estava a sair água. Fiquei muito feliz”, contou.
Durante semanas, a falta de água obrigou muitas famílias a mudar completamente a rotina. Ir buscar água tornou-se uma tarefa diária e cansativa.
Uma moradora explicou que a situação estava a tornar-se insustentável.
“Estou muito feliz mesmo. Estava muito cansativo sair daqui para ir buscar água longe. Temos muita roupa por lavar e a água vai ajudar muito”, afirmou.
Nos edifícios da centralidade, a situação ainda não está totalmente resolvida. Em vários prédios, a água ainda não chega aos andares superiores devido à falta de pressão.
Ivânia Fortunato diz que, apesar da alegria, o problema ainda não acabou completamente.
“É uma alegria, mas ao mesmo tempo estamos cansados. Ainda não está a sair em todo lado, principalmente nos andares mais altos”, explicou.
Durante os dias mais difíceis, os moradores dependiam quase exclusivamente de camiões-cisterna.
Segundo relatos, muitas vezes a água chegava durante a noite, obrigando os moradores, já cansados do trabalho, a enfrentar filas para conseguir encher recipientes.
“Era sempre uma luta. Tínhamos de correr para conseguir água”, contou uma moradora.
Em alguns casos, a escassez abriu espaço para a venda informal de água a preços elevados.
No quarteirão R, um dos mais afectados, os moradores lembram bem os momentos de maior dificuldade.
“Uma casa sem água é muito complicado. Tivemos muitos problemas”, disse a moradora Tatiana.
Apesar das dificuldades, muitos moradores reconhecem o apoio prestado através das cisternas enviadas para a zona.
A coordenadora do Quarteirão B, Maria Feijosa, descreveu os últimos dias como um período extremamente difícil para a população.
“Foram dias muito complicados. Víamos pessoas com bacias na cabeça a transportar água. Principalmente quem vive nos andares de cima sofreu muito”, disse.
Segundo a responsável, o abastecimento ainda não está totalmente restabelecido, mas há confiança de que a situação será normalizada.
“Sabemos que as equipas continuam a trabalhar e esperamos que a água chegue a todos”, afirmou.
Maria Feijosa aproveitou também para deixar uma mensagem à comunidade.
“Temos de nos preparar melhor. Situações como esta podem voltar a acontecer e é importante termos reservatórios de água”, alertou.
De acordo com a EPAL, a Estação de Tratamento de Água de Calumbo retomou o funcionamento no dia 22 de Fevereiro, após a resolução da avaria.
A reposição do abastecimento está a ser feita de forma progressiva, enquanto os centros de distribuição recuperam os níveis de reserva necessários para garantir a distribuição regular.
A empresa pediu compreensão à população pelos transtornos causados.
Enquanto a normalidade não regressa totalmente, os moradores do Zango 8.000 vivem agora um misto de esperança e cautela felizes por ver a água voltar, mas atentos para que o problema não se repita.
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