Moradores do quarteirão R, na centralidade do Zango 8000, denunciaram alegadas cobranças indevidas durante a distribuição de água por camiões-cisterna, numa altura em que a zona enfrenta carência do líquido precioso.
A denúncia foi feita pela moradora Tatiana Melo, residente no bloco R247. Segundo o seu relato, apesar da chegada de camiões ao quarteirão, os moradores tiveram de pagar para ter acesso à água.
“Entraram com os camiões aqui, mas não recebemos água. Compramos a água. Todo mundo do prédio foi contribuindo mil, mil, mil”, afirmou.
De acordo com a moradora, alguns residentes pagaram cerca de 250 kwanzas por recipiente, enquanto outros organizaram contribuições coletivas para garantir o abastecimento.
Coordenador nega cobrança oficial
Em resposta às acusações, o coordenador do quarteirão R, Sir Marcos, explicou que foram disponibilizados 12 mil litros de água por meio da IPAO, sem qualquer cobrança à população.
“Ontem recebemos 12 mil litros da cisterna disponibilizada pela IPAO, que não se cobrou nada”, garantiu.
O responsável reconheceu que não acompanhou pessoalmente a operação por se encontrar fora da centralidade, mas afirmou ter delegado membros da comissão de moradores para supervisionar a distribuição.
Segundo o coordenador, uma moradora disponibilizou o seu tanque vazio para que os vizinhos pudessem retirar água. No entanto, após a saída dos membros da comissão, a situação terá mudado.
“Depois dos elementos da comissão se retirarem, a senhora, quando viu que o tanque estava no meio, fechou e disse que ninguém mais ia tirar água. Segundo informações que recebemos, estava a vender a água”, relatou.
Sir Marcos classificou o caso como “triste” e “lastimável”, sublinhando que a comissão não autorizou qualquer tipo de venda da água fornecida gratuitamente.
Possível confusão com cisternas privadas
O coordenador esclareceu ainda que existem camiões particulares a operar no quarteirão, que vendem água diretamente aos moradores.
“Há muitos caminhões particulares que fornecem água. Quando abastecem numa casa que pagou, às vezes sobra água na cisterna e o motorista revende aos moradores que precisam. Essa cisterna não tem nada a ver com a IPAO nem com a administração”, explicou.
Segundo ele, os 12 mil litros disponibilizados foram entregues à comunidade até ao seu término, tendo beneficiado os moradores que estavam presentes no momento da distribuição.
“A água foi entregue aos moradores do quarteirão. Esteve disponível à comunidade até que terminou. Estamos a fazer esforço para conseguir mais cisternas a partir de amanhã”, assegurou.
Comunidade pede esclarecimentos
O caso gerou debate entre os moradores, que exigem maior fiscalização e transparência no processo de distribuição, sobretudo num contexto de escassez de água que afeta várias zonas do município.
A Rádio 8000 continuará a acompanhar o assunto, ouvindo moradores, coordenação e autoridades competentes, em defesa do interesse público.

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