Libreville, Gabão — O governo do Gabão ordenou hoje, 18 de fevereiro de 2026, a suspensão imediata de todas as plataformas de redes sociais e redes digitais no país, uma medida que ficará em vigor “até novo aviso”, anunciou a High Authority for Communication (HAC), o regulador de comunicações gabonês.
A decisão foi divulgada numa declaração oficial lida na televisão estatal pelo porta-voz Jean-Claude Mendome, que justificou a ação com o aumento de publicações consideradas difamatórias, odiosas, insultuosas e que propagam informação falsa, o que, segundo ele, estaria a ameaçar a coesão social, a estabilidade das instituições públicas e a segurança nacional.
“As mensagens inadequadas, ofensivas e divisivas nas redes sociais estão a gerar conflitos sociais e a minar a dignidade humana, a moral pública e a unidade nacional”, afirmou o representante do regulador.
Ainda não há uma lista oficial das plataformas afetadas, mas relatórios indicam que aplicações populares como Facebook, TikTok, WhatsApp e outras redes amplamente usadas no país já tornaram-se inacessíveis nas horas seguintes à declaração oficial.
A suspensão das redes sociais surge num momento de crescentes tensões sociais no Gabão, com professores, trabalhadores públicos e outros setores a organizarem greves e protestos devido a questões salariais e condições de trabalho desde dezembro de 2025.
O país vive ainda uma fase delicada desde o fim do longo domínio da família Bongo. O atual presidente, Brice Oligui Nguema, ascendeu ao poder após um golpe militar em 2023 e foi eleito em 2025, prometendo reformas e melhorias. Contudo, a recente onda de protestos tem aumentado a pressão sobre o seu governo, que justificou a suspensão de redes sociais como uma tentativa de prevenir a disseminação de informações que supostamente poderiam intensificar os confrontos e causar instabilidade institucional.
A medida gerou choque entre a população, especialmente entre os jovens que dependem destas plataformas não apenas para comunicação, mas também para negócios, promoção de serviços e participação social. Testemunhas e empresários na capital, Libreville, afirmaram que a suspensão poderá afetar negativamente o comércio local e as atividades económicas que utilizam redes sociais para divulgar produtos e serviços.
Organizações independentes e críticos afirmam que a suspensão pode ser vista como uma forma de controle sobre a expressão pública e a dissidência online, embora as autoridades garantam que a liberdade de expressão continua a ser um direito fundamental consagrado na lei gabonesa.

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