Luanda, Angola – Um familiar denunciou, em entrevista à Rádio Zango 8000, a prisão que considera injusta de um vendedor de jantes no mercado do Avo kumbe, em Luanda. Segundo o entrevistado, o homem está detido há cerca de cinco meses, acusado de envolvimento no roubo de uma jante de viatura, mas a família afirma que ele apenas intermediou a compra do produto junto a outra loja do mesmo mercado.
“O meu irmão foi acusado injustamente de roubar uma jante de carro. Ele não tinha a jante na banca e foi buscar noutra loja para ajudar os clientes”, afirmou o familiar durante a entrevista.
De acordo com o relato feito à rádio, o vendedor foi abordado por dois homens que procuravam uma jante com uma referência específica. Como não tinha a peça em sua banca, ele teria se deslocado até outra loja do mercado para tentar atender ao pedido. Após encontrar a jante e apresentá-la aos interessados, os mesmos teriam feito uma ligação telefónica. Pouco depois, um veículo do Serviço de Investigação Criminal (SIC) chegou ao local e efetuou a detenção do vendedor e de outros dois trabalhadores.
“Ele disse logo que não era o dono da jante e que podia mostrar onde foi buscar a peça. Mesmo assim, foi levado”, contou o entrevistado.
Segundo a família, ao se dirigirem à loja de origem do produto, o suposto proprietário da jante teria fugido ao avistar os agentes do SIC. “Quando o dono da jante viu o SIC, fugiu. Mesmo assim, quem ficou preso foi o meu irmão”, acrescentou.
A família também questiona o facto de o homem ter sido conduzido para esquadras no Kilamba, longe do local da detenção no Avocumbe, e afirma que o processo passou por diferentes esquadras antes de chegar à comarca. “Em vez de o levarem para uma esquadra próxima, levaram-no para o Kilamba. Parece que quiseram controlar o caso”, alegou o familiar.
Outro ponto levantado é a sucessiva marcação e adiamento de audiências. Conforme relatado, já houve pelo menos três adiamentos. “Nas duas primeiras audiências, as partes notificadas não apareceram. Na última, disseram que a juíza estava indisposta. Enquanto isso, o meu irmão continua preso”, disse.
O estado emocional do detido também preocupa os familiares. “Ele está muito abatido. Da última vez que fomos vê-lo, chorou e disse que não sabe por que está ali, porque não fez nada”, relatou o entrevistado.
A família destaca ainda o impacto social da detenção. “Ele deixou filhos. Uma das filhas está doente e precisa do pai para ajudar no tratamento. A família toda está a sofrer com isso”, afirmou.
Diante da situação, o familiar fez um apelo público: “Pedimos ajuda às autoridades e a quem estiver a ouvir. Queremos apenas que o caso seja analisado com justiça e que a verdade venha à tona”.
A Rádio Zango 8000 informa que ainda não obteve um posicionamento oficial das entidades citadas e que o espaço permanece aberto para o exercício do direito de resposta.
Ouça a entrevista
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