Uso de Medicamentos em Angola: Entre a Necessidade e o Perigo da Automedicação - Rádio 8000

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Uso de Medicamentos em Angola: Entre a Necessidade e o Perigo da Automedicação


Por: Redação 8000


O setor farmacêutico em Angola tem registado um crescimento assinalável nos últimos anos. Impulsionado pelo aumento populacional e pela maior prevalência de doenças crónicas e infecciosas, o acesso a medicamentos tornou-se uma prioridade de saúde pública. No entanto, o país enfrenta um desafio silencioso e perigoso: o uso irracional de fármacos e a persistência da automedicação.


Modernidade vs. Informalidade

Nas principais cidades, com destaque para Luanda, o cenário é de contraste. De um lado, surgem farmácias modernas, equipadas com sistemas informatizados e profissionais qualificados que garantem a segurança do paciente. Do outro, persistem pontos de venda informais e farmácias ilegais, onde medicamentos são comercializados sem controlo rigoroso de conservação ou origem.


O Alerta da Especialista: O Papel da Farmácia Popular

Em entrevista à Rádio 8000, a farmacêutica Odeth Sebastião, da Farmácia Popular, revelou uma realidade preocupante sobre os hábitos de consumo dos cidadãos. Segundo a profissional, analgésicos comuns, como o paracetamol, e antibióticos diversos são os produtos mais procurados, frequentemente sem qualquer prescrição médica.


A especialista aproveitou o espaço para reforçar a importância do diagnóstico prévio antes de qualquer tratamento:


"Aconselhamos vivamente as pessoas a não fazerem o uso de fármacos sem prescrição médica. É necessário procurar o médico para saber que tipo de infeção o paciente apresenta; só depois disso o médico poderá receitar o fármaco ideal", alertou Odeth Sebastião.


Ética na Dispensa: Um Apelo aos Profissionais

Além do conselho aos pacientes, a farmacêutica dirigiu uma mensagem firme aos seus colegas de profissão. Para Odeth Sebastião, o rigor no balcão é uma ferramenta de saúde pública. Ela aconselhou os técnicos de farmácia a não dispensarem fármacos sem receita médica, uma prática essencial para incentivar o paciente a procurar um diagnóstico real e evitar o agravamento de doenças mascaradas pelo uso indevido de remédios.


Riscos à Saúde Pública

O uso indiscriminado de antibióticos (como Amoxicilina e Azitromicina) é uma das maiores preocupações globais, pois contribui para a resistência bacteriana — quando as bactérias deixam de responder aos tratamentos disponíveis. Além disso, a automedicação pode causar intoxicações graves e reações alérgicas severas.


O Caminho para a Segurança

Especialistas e autoridades defendem que a solução para os desafios do setor farmacêutico em Angola passa por quatro pilares fundamentais:


Educação em Saúde: Informar a população sobre os riscos de se medicar por conta própria.


Fiscalização Rigorosa: Combater o mercado ilegal e a venda de medicamentos contrafeitos.


Valorização do Farmacêutico: Reconhecer este profissional como o último filtro de segurança para o paciente.


Uso Responsável: Garantir que o medicamento seja visto como uma ferramenta de cura, e não um produto de consumo comum.


Enquanto o Governo reforça as ações de inspeção, a mensagem da Profissional Odeth Sebastião ressoa como um lembrete vital: a saúde começa com a informação correta e o diagnóstico profissional.

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