Por: Redação 8000
O setor farmacêutico em Angola tem registado um crescimento assinalável nos últimos anos. Impulsionado pelo aumento populacional e pela maior prevalência de doenças crónicas e infecciosas, o acesso a medicamentos tornou-se uma prioridade de saúde pública. No entanto, o país enfrenta um desafio silencioso e perigoso: o uso irracional de fármacos e a persistência da automedicação.
Modernidade vs. Informalidade
Nas principais cidades, com destaque para Luanda, o cenário é de contraste. De um lado, surgem farmácias modernas, equipadas com sistemas informatizados e profissionais qualificados que garantem a segurança do paciente. Do outro, persistem pontos de venda informais e farmácias ilegais, onde medicamentos são comercializados sem controlo rigoroso de conservação ou origem.
O Alerta da Especialista: O Papel da Farmácia Popular
Em entrevista à Rádio 8000, a farmacêutica Odeth Sebastião, da Farmácia Popular, revelou uma realidade preocupante sobre os hábitos de consumo dos cidadãos. Segundo a profissional, analgésicos comuns, como o paracetamol, e antibióticos diversos são os produtos mais procurados, frequentemente sem qualquer prescrição médica.
A especialista aproveitou o espaço para reforçar a importância do diagnóstico prévio antes de qualquer tratamento:
"Aconselhamos vivamente as pessoas a não fazerem o uso de fármacos sem prescrição médica. É necessário procurar o médico para saber que tipo de infeção o paciente apresenta; só depois disso o médico poderá receitar o fármaco ideal", alertou Odeth Sebastião.
Ética na Dispensa: Um Apelo aos Profissionais
Além do conselho aos pacientes, a farmacêutica dirigiu uma mensagem firme aos seus colegas de profissão. Para Odeth Sebastião, o rigor no balcão é uma ferramenta de saúde pública. Ela aconselhou os técnicos de farmácia a não dispensarem fármacos sem receita médica, uma prática essencial para incentivar o paciente a procurar um diagnóstico real e evitar o agravamento de doenças mascaradas pelo uso indevido de remédios.
Riscos à Saúde Pública
O uso indiscriminado de antibióticos (como Amoxicilina e Azitromicina) é uma das maiores preocupações globais, pois contribui para a resistência bacteriana — quando as bactérias deixam de responder aos tratamentos disponíveis. Além disso, a automedicação pode causar intoxicações graves e reações alérgicas severas.
O Caminho para a Segurança
Especialistas e autoridades defendem que a solução para os desafios do setor farmacêutico em Angola passa por quatro pilares fundamentais:
Educação em Saúde: Informar a população sobre os riscos de se medicar por conta própria.
Fiscalização Rigorosa: Combater o mercado ilegal e a venda de medicamentos contrafeitos.
Valorização do Farmacêutico: Reconhecer este profissional como o último filtro de segurança para o paciente.
Uso Responsável: Garantir que o medicamento seja visto como uma ferramenta de cura, e não um produto de consumo comum.
Enquanto o Governo reforça as ações de inspeção, a mensagem da Profissional Odeth Sebastião ressoa como um lembrete vital: a saúde começa com a informação correta e o diagnóstico profissional.
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