Janeiro de 1961 ocupa um lugar central na história de Angola por ter sido o mês que antecedeu o início oficial da Luta Armada de Libertação Nacional, desencadeada em fevereiro do mesmo ano. Este período foi marcado por forte tensão social, repressão colonial e pelo despertar de uma consciência coletiva que culminaria em ações decisivas contra o domínio português.
Entre os acontecimentos mais significativos ligados a este momento histórico destaca-se a Revolta da Baixa de Cassanje, ocorrida no nordeste de Angola, nas atuais províncias de Malanje e Lunda. O levante envolveu milhares de camponeses que trabalhavam forçadamente nas plantações de algodão, exploradas pela empresa colonial Cotonang.
Revolta da Baixa de Cassanje: o grito dos camponeses
A revolta teve origem nas condições desumanas de trabalho, nos baixos salários e na imposição do cultivo obrigatório do algodão. Os camponeses recusaram-se a continuar a produção e queimaram cartões de identificação e campos agrícolas, numa clara demonstração de rejeição ao sistema colonial.
A resposta das autoridades portuguesas foi violenta e repressiva, recorrendo a forças militares e bombardeamentos aéreos. Centenas — e segundo algumas fontes, milhares — de angolanos perderam a vida. Embora brutalmente reprimida, a Revolta da Baixa de Cassanje tornou-se um marco simbólico da resistência popular e é considerada por muitos historiadores como o primeiro grande ato coletivo contra o colonialismo português em Angola.
Um país à beira da insurreição
Durante janeiro de 1961, o ambiente em Angola era de crescente instabilidade. Movimentos nacionalistas intensificavam a mobilização política, tanto no interior como no exterior do país. A repressão colonial, longe de conter o descontentamento, acabou por acelerar a organização da luta armada, que se manifestaria de forma aberta a 4 de fevereiro de 1961, com os ataques às cadeias de Luanda.
Importância histórica
Janeiro de 1961 simboliza, assim, um período de preparação, consciência e ruptura, em que o povo angolano passou da resistência silenciosa para a ação direta. A Revolta da Baixa de Cassanje permanece na memória nacional como um dos primeiros sinais claros de que a independência deixara de ser apenas um ideal distante para se tornar uma causa pela qual muitos estavam dispostos a sacrificar a própria vida.
Mais de seis décadas depois, recordar este mês é honrar a coragem dos camponeses e nacionalistas que abriram caminho para a libertação de Angola, alcançada a 11 de novembro de 1975.
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