Luanda – O cidadão Cláudio de Carvalho, filho do general reformado Mendes de Carvalho, conhecido como General Paca, denunciou publicamente uma alegada perseguição e vigilância policial contra si e membros da sua família, envolvendo órgãos do Estado angolano, com destaque para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e forças militarizadas, na centralidade do Kilamba, em Luanda.
A denúncia foi feita durante uma entrevista transmitida em direto no canal do comunicador Benaja, onde Cláudio relatou uma série de acontecimentos que, segundo afirma, violam princípios legais e constitucionais, nomeadamente o direito à notificação formal e à proteção da integridade física e moral dos cidadãos.
Aparato policial na residência do general
Segundo Cláudio de Carvalho, a situação teve início após declarações públicas do seu pai, nas quais o general Paca contestou a legalidade de uma suposta notificação feita por via telefónica. De acordo com o denunciante, a lei angolana exige que qualquer notificação seja feita por escrito.
Nos dias 22 e 23, um forte contingente composto por viaturas militares, policiais e carros descaracterizados deslocou-se à residência do general, sem apresentar qualquer mandado ou notificação formal. Na ausência do general, os agentes teriam interrogado funcionários do restaurante existente no local, atitude classificada pela família como abuso de autoridade.
Perseguição ao filho no Kilamba
Dias depois, Cláudio afirma que passou a ser o alvo direto da operação. De acordo com o seu relato, através de rastreio telefónico, agentes localizaram a residência onde se encontrava hospedado no Kilamba, uma casa que, segundo ele, não pertence à família Mendes de Carvalho nem tem qualquer ligação ao seu pai.
“No Kilamba, vieram à minha residência com viaturas militares, agentes fardados e homens descaracterizados. Eu sou civil, não tenho qualquer processo-crime em Angola”, afirmou Cláudio, acrescentando que só não foi abordado pelas autoridades graças ao alerta de um segurança do edifício.
O denunciante refere ainda que foram registados movimentos incomuns de mais de 15 viaturas, incluindo Land Cruisers, veículos militarizados e agentes armados, situação que causou alarme entre moradores da zona.
Acusações de intimidação e ilegalidade
Cláudio de Carvalho acredita que a ação teve como objetivo intimidá-lo e forçá-lo a revelar o paradeiro do seu pai. Reforça que o crime não é transmissível e que não existe qualquer base legal para a perseguição de familiares.
“Não irei trair o meu pai. Se algo me acontecer, o povo angolano deve saber que fui perseguido”, declarou, dirigindo um apelo direto ao Presidente da República, João Lourenço, para que intervenha no sentido de garantir o cumprimento da lei e o respeito pelos direitos fundamentais.
Apelo às autoridades e à juventude
O denunciante afirmou ainda ter comunicado o caso a entidades internacionais e representações diplomáticas, por considerar que as ações descritas estão a ser conduzidas “à margem da lei” e de forma clandestina.
No final da sua intervenção, Cláudio de Carvalho deixou uma mensagem à juventude angolana, apelando à perseverança na luta por um Estado de Direito, transparência institucional e justiça social.
Até ao momento, as autoridades visadas não emitiram qualquer pronunciamento oficial sobre as acusações.
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